António Filipe classifica como "absolutamente dramático" casos de falhas na saúde
O candidato presidencial António Filipe classificou hoje como "absolutamente dramático" o caso da morte de três pessoas alegadamente por atrasos na assistência médica, considerando ser um problema "suficientemente grave" para justificar a chamada excecional do primeiro-ministro a Belém.
"Começa a ser raro o dia em que isso não acontece. Isso é absolutamente dramático. Ou seja, eu acho que esses casos têm de ser investigados, têm de se perceber exatamente porque é que isso aconteceu e o que é que tem de ser alterado para que isso não aconteça", afirmou António Filipe, que falava em Pedrógão Grande, após uma visita aos bombeiros voluntários.
Questionado sobre se, fosse eleito Presidente da República, chamaria o primeiro-ministro a Belém numa situação destas respondeu: "Mas isso parece-me evidente".
"Eu acho que quando estamos perante situações que são motivo de alarme (...) Eu acho que tem sentido, é justificado que o Presidente da República tome alguma medida de contacto com o Governo, ainda que de caráter excecional, tendo em conta a gravidade dos problemas e eu acho que este problema é suficientemente grave para isso", afirmou.
O candidato à Presidência da República apoiado pelo PCP e PEV considerou que não se pode "continuar a viver sistematicamente sob o signo de desgraças que acontecem ou porque a urgência estava fechada, ou porque a ambulância chegou tarde, ou porque houve uma descoordenação qualquer nos serviços, ou porque foi o algoritmo".
"Ou seja, isso não pode continuar a acontecer. E, portanto, têm que ser tomadas medidas muito sérias para que o sistema de socorro que existe em Portugal os serviços hospitalares, o INEM, a articulação entre as várias entidades que intervêm, isso tem que ser assegurado, tem que ser feito e tem que haver responsabilidades, tem que se assumir responsabilidades e, portanto, tem que haver uma outra política que não seja apenas conviver com a falta de meios e com a falta de recursos e não haver o investimento necessário", referiu ainda.
António Filipe disse ainda que "isto não pode acontecer, as pessoas não podem considerar que isto é normal". "Mesmo que aconteça todos os dias, não é normal", apontou.
Para António Filipe, a realidade revela uma "degradação acelerada" do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e defendeu que "isso tem que ser travado", que o sistema de socorro tem que ser assegurado e que têm de ser assumidas responsabilidade políticas.
Durante esta semana, já se registaram três mortes por alegado atraso no socorro: de um homem de 78 anos, no Seixal, que aguardou três horas por uma ambulância, de um outro de 68 anos em Tavira, que esteve mais de uma hora à espera de socorro, e de uma mulher na Quinta do Conde, em Sesimbra.
As eleições presidenciais estão marcadas para 18 de janeiro de 2026.
Concorrem às presidenciais 11 candidatos, um número recorde e a campanha eleitoral decorre de 04 a 16 de janeiro.
Os candidatos são Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.
Esta é a 11.ª eleição, em democracia, desde 1976, para o Presidente da República.