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Eleições Presidenciais País

Mendes acusa adversários de quererem "criar dificuldades ao Governo" e instabilidade

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Foto Lusa

O candidato presidencial Luís Marques Mendes acusou hoje os restantes adversários na corrida a Belém de quererem "criar dificuldades ao Governo" e instabilidade, e disse que é facilitador apenas de "consensos, convergências e entendimentos".

No dia seguinte ao debate televisivo com os 11 candidatos a Presidente da República, o candidato apoiado por PSD e CDS-PP disse ter assistido a algo "que não estava à espera".

"Dez candidatos que têm todos, por razões diferentes, uma preocupação: criar dificuldades ao Governo e criar dificuldades à estabilidade política em Portugal. Dez candidatos por razões diferentes, uns porque são candidatos partidários, outros porque têm aquela teoria de que os ovos não devem estar no mesmo cesto, e outro porque já prometeu que fará dissoluções e mais dissoluções", acusou.

O candidato a Presidente da República considerou que "numa altura em que o país precisa de crescer, numa altura em que os salários precisam de aumentar, numa altura em que os impostos estão a baixar, estar alguém que quer ser Presidente da República fator de instabilidade não é uma boa ideia para o país".

"O Governo foi eleito pelos portugueses. A gente espera que governe bem, mas tem que governar quatro anos, porque foi essa a decisão dos portugueses, e não é suposto um Presidente da República ser oposição ao Governo", defendeu.

E sustentou que um chefe de Estado "não tem que ser nem amigo nem adversário do Governo, deve ser um árbitro".

"O que eu ontem vi é um conjunto de candidatos que só têm duas preocupações, ou criar instabilidade ou criar dificuldades ao Governo, sobretudo numa altura em que nós temos que ajudar a que o Governo compre o seu mandato para apresentar resultados aos portugueses", acrescentou.

Ao quarto dia de campanha oficial para as eleições presidenciais de dia 18, a caravana de Luís Marques Mendes esteve esta manhã em Setúbal, para uma visita ao Mercado do Livramento, precedida de uma arruada em que o candidato contou com o apoio da presidente da Câmara, Maria das Dores Meira, ex-PCP, que nas últimas autárquicas foi eleita como independente apoiada pelo PSD.

Ainda no rescaldo do debate, em que foi acusado por Gouveia e Melo de ter facilitado negócios, Marques Mendes respondeu hoje que "a única coisa verdadeira" é que tem sido "um facilitador, ao longo da vida, de consensos, convergências e entendimento", aquilo que "verdadeiramente o país precisa".

O antigo líder do PSD considerou que é atacado pelos adversários porque há sondagens que o apontam como "o favorito para ganhar e ser Presidente da República", apesar de admitir que "as sondagens também falham".

Sobre as dúvidas levantadas quanto ao seu passado, insistiu que "está tudo explicado".

"Durante estes anos todos não tive um problema com a Ordem dos Advogados, não tive um problema com a Autoridade Tributária, nem com o Ministério Público, nem com o Tribunal Constitucional, nem com a Entidade da Transparência", salientou.

Questionado sobre novas notícias quanto aos contratos da Marinha que envolvem Gouveia e Melo e também sobre o seu envolvimento em projetos de energia solar, Marques Mendes recusou "entrar em insinuações" e disse que as explicações cabem ao próprio.

No final da iniciativa de campanha, Luís Marques Mendes mostrou-se satisfeito com a "receção calorosa" em Setúbal e sensibilizado com o apoio da autarca, salientando que Maria das Dores Meira é "uma pessoa independente" e o estar ao seu lado prova "o caráter alargado, abrangente e agregador" da sua candidatura.

"E eu fico satisfeito. São este tipo de apoios, a acrescentar a todos os outros, que me dão ainda maior motivação e entusiasmo para esta campanha eleitoral", indicou.

Antes de começarem a arruada pelo centro de Setúbal, a presidente da Câmara e o candidato sentaram-se numa pastelaria para tomar um café, e Maria das Dores Meira aproveitou para transmitir a Marques Mendes que a reação dos setubalenses à sua candidatura "é muito positiva".

"Tudo faremos para explicar quem foi Marques Mendes, quem é Marques Mendes, e quem pode ser Marques Mendes na Presidência da República. Experiência é igual a Marques Mendes", disse a autarca, que prometeu "apoiar em tudo o que puder" para ter "a certeza de que Portugal terá o rumo certo".

O candidato agradeceu a ajuda, congratulou-se com a informação, e disse que também sente "na rua um apoio muito bom, muito positivo".

Candidato sugere regras das PPP em hospitais públicos

O candidato presidencial Luís Marques Mendes prometeu hoje ajudar este ou outro governo a "tomar decisões para melhorar" a saúde, e sugeriu que as regras e estímulos das Parcerias Público-Privadas neste setor se possam aplicar aos hospitais públicos.

No final de uma visita ao mercado do Livramento, em Setúbal, Marques Mendes foi questionado sobre queixas que tem ouvido sobre a saúde e sobre a morte de um homem, na terça-feira no Seixal, depois de quase três horas à espera de socorro do INEM.

"A primeira coisa que devo dizer é que lamento profundamente o que aconteceu e a morte dessa pessoa. Essa é que é a péssima notícia. Não conheço as circunstâncias do caso, portanto, não posso pronunciar-me", disse.

Sobre a situação da saúde, considerou que "as pessoas têm razão e há que fazer esforços e ajudar a que sejam tomadas as decisões para melhorar as outras".

Questionado se não é já é tarde para o Governo o fazer, respondeu: "Tarde nunca é, mas mais do que diagnósticos é, de facto, preciso ter soluções", disse, recusando pronunciar-se se o executivo está a desiludir nesta área, afirmando já não ser comentador.

"Eu não estou aqui agora para fazer análise ou comentário. Eu estou aqui para ser Presidente da República e ajudar o Governo, este ou qualquer outro, a governar o melhor possível", disse.

O candidato apoiado por PSD e CDS-PP considerou que o Presidente da República pode ajudar o executivo de duas formas, nesta área.

"Primeiro garantir a estabilidade. Sem haver estabilidade não há soluções. E depois ser firme a exigir resultados. Acho que esse é o papel do Presidente da República e não aquele papel de criar dificuldades e de criar instabilidade", afirmou.

Mendes disse não temer que os problemas na saúde possam afetar a sua campanha para Belém e reiterou uma proposta concreta na área da saúde, que disse ser a sua maior preocupação, a par da habitação.

"Qual é o padrão que eu quero ajudar a impor no domínio da saúde? Que as regras e estímulos que foram aplicadas nas parcerias público-privadas (PPP) possam ser aplicadas nos hospitais públicos", disse.

O candidato esclareceu que não está a defender que existam ou não PPP nos hospitais -- uma decisão que caberá ao governo -, mas defendeu que "as regras das PPP na saúde provaram bem, provaram no domínio financeiro, provaram na confiança que os utentes tinham nesses hospitais"

"Então porque é que essas regras não devem vir para os hospitais públicos? Provaram nos hospitais públicos com gestão privada, então passemos para os hospitais públicos", afirmou, prometendo ser ativo na defesa de soluções como esta através da "magistratura de influência" que pode exercer em Belém.

No mercado de Setúbal, o candidato apoiado por PSD e CDS-PP foi genericamente bem recebido, mas uma vendedora que disse apoiá-lo, conhecida como "Júlia do mercado do peixe", pediu-lhe mais atenção à saúde, bem como à situação dos jovens.

"Eu dava-lhe o conselho de ele olhar muito pela população, pela nossa saúde. Porque eu tenho um seguro, que pago muito dinheiro enquanto estiver a trabalhar, quando já não estiver a trabalhar já não tenho dinheiro para pagar e tenho que ir para o Serviço Nacional de Saúde. E é muito triste o que a gente vê", lamentou.

Por outro lado, pediu a Mendes para olhar para os jovens que são forçados a emigrar, dando exemplo de um neto seu que está a trabalhar na Alemanha e a ganhar "o triplo" do que ganharia em Portugal, onde tinha um salário de 900 euros.

"Estamos a exportar o futuro. É verdade", concordou Mendes, prometendo que, se for eleito Presidente da República, vai tentar ajudar nesse sentido.

As eleições presidenciais estão marcadas para 18 de janeiro de 2026.

Concorrem às presidenciais 11 candidatos, um número recorde. Caso nenhum consiga mais de metade dos votos validamente expressos, realizar-se-á uma segunda volta a 08 de fevereiro entre os dois mais votados.