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Protesto no Porto contra "invasão" pelos EUA e resposta do Governo português

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Foto EPA

Cerca de 150 pessoas protestaram, esta segunda-feira, no Porto contra a intervenção dos EUA que levou à captura do Presidente da Venezuela, ao mesmo tempo que criticaram a reação do Ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) de Portugal.

Em declarações à Lusa, a dirigente do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), que promoveu o protesto, Manuela Branco, foi por aí que começou, apontando à "invasão pelos Estados Unidos da Venezuela" com o propósito do "rapto do seu presidente Nicolás Maduro e da sua esposa", para logo depois, criticar o Governo português que "não condenou rigorosamente nada".

"É um perigo para todos os países democráticos que haja um país que diz: eu quero os vossos recursos, quero o petróleo, quero o ouro, quero as vossas terras raras, quero mandar no vosso povo e a União Europeia, Portugal, a maior parte dos países europeus dizem, sim senhora, nós aceitamos tudo isso. Não pode acontecer", continuou a porta-voz na manifestação que decorreu no Porto.

Neste contexto, Manuela Branco entende que a atitude dos Estados Unidos pode causar "um grande retrocesso ao mundo", assinalando que "hoje já se começou a falar da Gronelândia, da Colômbia e de Cuba [como próximos alvos da administração [Trump].

"O Trump arma-se em dono do mundo e os outros países estão a ser complacentes. O povo português está a fazer estas manifestações em Lisboa, aqui no Porto e em Braga e iremos continuar com todas as formas de luta possíveis para chamar a atenção dos nossos governantes para tomarem uma posição e até as Nações Unidas têm de olhar para esta situação com olhos de ver e não a dizer que sim senhora, aceitar estas questões", prosseguiu a responsável.

Nos poucos cartazes liam-se as frases "Tirem as mãos da Venezuela" e "A América Latina não é o quintal dos EUA", mas havia quem segurasse bandeiras onde apenas se lia a palavra Paz. Um deles, Vítor Januário, falou à Lusa para dizer ser a paz "aquilo que parece estar mais ameaçado na civilização".

O facto de Portugal não ter condenado a intervenção e detenção de Nicolás Maduro constituiu, para o manifestante, "uma enorme hipocrisia do Estado português (...) perante esta invasão que houve do território venezuelano, pondo em causa as decisões do próprio povo e com uma declaração absoluta dos interesses que estão por trás de tudo isto".

"Há declarações da parte do nosso Governo (...) que são absolutamente miseráveis", sintetizou.

Questionado se a intervenção dos EUA naquele país é mais negócio ou política, respondeu: "Eu não acho que haja interpretação, acho que há uma declaração da parte da força que foi sequestrar o presidente da Venezuela, fez uma declaração absoluta, claríssima, de que o que pretendia era a riqueza que saía do solo".

A manifestação reuniu pessoas de vários escalões etários, apesar do muito frio que se fez sentir no final de tarde no Porto, e José Neves pertence ao dos mais jovens que decidiram juntar a sua voz ao protesto.

"Estou contra uma violação do direito internacional e da captura ilegítima de qualquer cidadão de um país da América Latina ou de qualquer outro país por um governo imperialista como é os Estados Unidos", explicou-se sobre o que estava ali a fazer.

Já quanto ao segundo tema do protesto, a não condenação pelo Governo português do sucedido, alertou para o facto de que a posição assumida "não dá garantias nenhumas à comunidade portuguesa existente na Venezuela".

Os Estados Unidos lançaram no sábado "um ataque em grande escala contra a Venezuela" para capturar e julgar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.

Maduro e a mulher prestaram hoje breves declarações num tribunal de Nova Iorque para responder às acusações de tráfico de droga, corrupção e branqueamento de capitais e ambos declararam-se inocentes. A próxima audiência está marcada para 17 de março.

A comunidade internacional dividiu-se entre a condenação ao ataque dos Estados Unidos a Caracas e saudações pela queda de Maduro.