Presidente colombiano pronto a "retomar as armas" face a ameaças de Trump
O Presidente colombiano, Gustavo Petro, antigo guerrilheiro, afirmou-se hoje pronto para "retomar as armas" face às ameaças de ataques ao país feitas pelo homólogo norte-americano, Donald Trump.
As palavras de Petro surgem num contexto de tensão crescente entre os dois países após o ataque militar norte-americano de sábado na Venezuela para prender o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro.
"Jurei não tocar em armas desde o acordo de paz de 1989, mas pela pátria voltarei a pegar em armas", escreveu o Presidente colombiano de esquerda na rede social X.
No domingo, a bordo do Air Force One, Trump declarou que uma operação na Colômbia semelhante à realizada na Venezuela lhe parecia "uma boa ideia" e acusou Gustavo Petro de tráfico de drogas para os Estados Unidos, avisando que "não continuaria a fazê-lo por muito tempo".
No mesmo dia, e também na rede social X, Petro criticou os Estados Unidos por serem o primeiro país a bombardear uma capital sul-americana, após o ataque da véspera a Caracas, dizendo que nem Netanyahu, Hitler, Franco ou Salazar o fizeram.
"Os Estados Unidos são o primeiro país do mundo a bombardear uma capital sul-americana em toda a história da humanidade. Nem Netanyahu o fez, nem Hitler, nem Franco, nem Salazar. Que medalha terrível essa, porque os sul-americanos não a esquecerão durante as próximas gerações", escreveu Petro.
Para o Presidente colombiano, "a ferida fica aberta durante muito tempo", mas "a vingança não deve existir" porque "mata o coração".
"Os parceiros comerciais têm de mudar e a América Latina tem de se unir ou será tratada como um servo e escravo e não como o centro vital do mundo. Uma América Latina com capacidade para compreender, negociar e unir-se a todo o mundo. Não olhamos apenas para o norte, mas em todas as direções", frisou Petro numa longa mensagem.
Petro disse que pediu ao homólogo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que procure uma aliança -- "antes de tudo deve ser a própria América Latina, que está sendo bombardeada" --, após observar que a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), da qual a Colômbia detém a presidência temporária, não é um fórum com capacidade de atuação.
"A CELAC atualmente não nos serve de nada por causa da sua regra de consenso absoluto, o que não falta é um ou uma presidente que prefere continuar a ser escravo de governos estrangeiros, que anseia ajoelhar-se perante o rei", afirmou, referindo-se a uma reunião virtual de ministros dos Negócios Estrangeiros convocada pela Colômbia para lidar com a situação na Venezuela, na qual não se chegou, no domingo, a qualquer acordo.
Horas antes da publicação da mensagem, o Presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou Petro, a quem acusou de "fabricar cocaína", com o envio para a Colômbia de uma missão norte-americana como a que atacou vários pontos da Venezuela e capturou Maduro.
Trump disse aos jornalistas a bordo do avião presidencial que, tal como a Venezuela, "a Colômbia também está muito doente", acrescentando que o país é "governado por um homem doente que gosta de fabricar cocaína e vendê-la aos Estados Unidos, e isso é algo que ele não vai fazer durante muito tempo".
A este respeito, Petro disse: "Rejeito profundamente que Trump fale sem saber, o meu nome em 50 anos não aparece nos ficheiros judiciais sobre tráfico de droga, nem antes nem agora. Pare de me caluniar, senhor Trump".
"Não lê a história da Colômbia e é por isso que falha quando nos critica. Só deve reunir-se com os seus funcionários especializados em investigações sobre drogas na Colômbia a quem eu ajudei com as minhas próprias investigações como senador da República de esquerda da Colômbia e do seu povo", acrescentou Petro.