Mendes saúda posição da UE e avisa que deitar por terra direito internacional legitima Putin
O candidato presidencial Marques Mendes saudou hoje a posição da União Europeia (UE) que apelou a uma transição pacífica na Venezuela, e alertou que, se se "deitar por terra" o direito internacional, se legitimam ações como as de Putin.
Em declarações aos jornalistas no final de uma visita à feira semanal de Espinho (distrito de Aveiro), o candidato apoiado por PSD e CDS-PP comentou a posição assumida no domingo por 26 dos 27 Estados-membros da UE, à exceção da Hungria, na qual se apela à "calma e moderação" para evitar a escalada do conflito com os Estados Unidos.
"Tomaram uma posição clara, afirmativa, em favor do direito internacional e em favor da soberania dos venezuelanos. Eu digo desde o primeiro dia, o futuro da Venezuela constrói-se com a decisão dos próprios venezuelanos e não de quaisquer outros sejam mais fortes ou mais fracos", saudou Marques Mendes.
Questionado se a posição do governo português não foi demasiado branda em relação a essa da União Europeia, o candidato a Belém salientou que nessa posição conjunta "está a assinatura de Portugal".
"Se virem exatamente a decisão da Comissão Europeia e dos 26, há uma clara afirmação da necessidade de respeitar o direito internacional. Portanto, houve clareza. Acho que é muito importante, porque se nós, infelizmente, estivermos a deitar por terra permanentemente o direito internacional, então também estamos a legitimar o Sr. Putin, também estaremos a legitimar outras operações no futuro e, portanto, tem que haver princípios e valores a respeitar", afirmou.
Mendes reafirmou que o direito internacional foi violado pelos Estados Unidos na sua ação contra Venezuela e, questionado se tal não deveria ter consequências, responsabilizou as Nações Unidas.
"De alguns anos a esta parte que as Nações Unidas não funcionam. Só há violação do direito internacional, em grande medida, porque as Nações Unidas deixaram de ter capacidade de influência", lamentou.
Marques Mendes foi ainda questionado sobre as recentes ameaças do presidente norte-americano à Gronelândia, que admitiu ver "com preocupação".
"Quando eu digo, desde domingo, que esta operação significa uma violação, um desrespeito pelo direito internacional, é no sentido de que, se nós não formos capazes de perceber isso, estamos a abrir condições para precedentes no futuro. A Gronelândia é um caso e outros podem surgir", afirmou.
Os Estados Unidos lançaram no sábado "um ataque em grande escala contra a Venezuela" para capturar e julgar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.
Horas depois do ataque, e não sendo ainda claro quem vai dirigir o país após a queda de Maduro, o Presidente norte-americano, Donald Trump, admitiu uma segunda ofensiva contra o país se for necessário.
Nicolás Maduro e a mulher foram transportados para Nova Iorque e o presidente deposto vai comparecer hoje num tribunal em Manhattan.
A vice-presidente executiva Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina do país.
A comunidade internacional dividiu-se entre a condenação ao ataque dos Estados Unidos a Caracas e saudações pela queda de Maduro e o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que a ação militar norte-americana poderá ter "implicações preocupantes" para a região.