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Forças iranianas avisam que eventual ataque dos EUA terá resposta imediata

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Irão vai retaliar imediatamente se sofrer um ataque militar, afirmou hoje o porta-voz das forças armadas da República Islâmica, referindo que numerosas bases norte-americanas na região estão ao alcance dos mísseis iranianos.

"Uma resposta decisiva virá imediatamente", declarou o brigadeiro-general Mohammad Akramiya, que apontou "graves vulnerabilidades" nos porta-aviões norte-americanos, aludindo ao Abraham Lincoln, que lidera uma frota naval destacada para o Médio Oriente pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

"Se os americanos cometerem um erro de cálculo deste tipo, certamente não se desenrolará da forma que Trump imagina --- realizando uma operação rápida e, duas horas depois, escrevendo nas redes sociais que a operação terminou", advertiu o porta-voz militar.

O primeiro vice-presidente do Irão, Mohammad Reza Aref, avisou que o país deve preparar-se para a guerra, perante a ameaça dos Estados Unidos de usar a força.

"Hoje, devemos estar preparados para a guerra. A República Islâmica do Irão nunca inicia uma guerra, mas se lhe for imposta uma, defender-se-á com força", afirmou Mohammad Reza Aref, citado pela agência de notícias iraniana ISNA.

O líder da Casa Branca ameaçou repetidamente usar a força, em resposta à violenta repressão dos protestos no último mês no Irão, e na quarta-feira exigiu também negociações sobre o programa nuclear iraniano, cujas instalações foram bombardeadas em junho pela aviação norte-americana e por Israel.

Em resposta, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, manifestou disponibilidade para o diálogo, desde que livre de coações e ameaças, ao mesmo tempo que avisou que as forças armadas estão "com o dedo no gatilho" face à ameaça de ataque.

Araqchi viaja na sexta-feira para a Turquia para um encontro com o homólogo turco, Hakan Fidan, que, segundo a agência de notícias France Presse (AFP), ofereceu mediação para aliviar a tensão militar entre Teerão e Washington.

O emir do Qatar, onde os Estados Unidos têm a principal base aérea no Médio Oriente, e o Presidente iraniano conversaram já por telefone para discutir a situação regional e os esforços de desanuviamento da tensão.

A agência de notícias do Qatar QNA avançou que Tamim bin Hamad Al Thani e Massoud Pezeshkian abordaram a evolução da situação do Médio Oriente, bem como os esforços para preservar a estabilidade, destacando a importância do diálogo e da diplomacia.

A base norte-americana em Al-Udeid, no Qatar, sofreu um ataque aéreo iraniano em junho passado, em retaliação aos bombardeamentos da aviação dos Estados.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, comentou, numa audição na quarta-feira na Comissão dos Negócios Estrangeiros do Senado em Washington, que o Irão está "mais fraco do que nunca", com a economia "em colapso", e, ao contrário do que acontecia no passado, o regime mostra-se incapaz de responder às reivindicações dos protestos.

Na semana passada, as autoridades iranianas anunciaram que pelo menos 3.117 pessoas morreram nos protestos ao longo de janeiro, números contestados por organizações não-governamentais de defesa dos direitos humanos, que alegaram estar em posse de dados que confirmam uma dimensão muito superior, a que somam dezenas de milhares de detidos.

O movimento de protesto, iniciado em 28 de dezembro contra o elevado custo de vida e desvalorização da moeda nacional, levou a um apagão de comunicações sem precedentes em todo o país por ordem das autoridades, e entretanto perdeu intensidade, mas prosseguem os relatos de detenções e de confissões encenadas na televisão.