As nossas circunstâncias em 2026
O meu artigo de Janeiro de 2025 tinha por título “Incertezas e mais incertezas!” e hoje passado um ano considero que as incertezas que tinha no início de 2025 se mantêm e novas incertezas acrescem.
A primeira incerteza que tinha no início de 2025 era o apoio à Ucrânia por parte dos Estados Unidos. Nessa altura o Presidente Trump tinha acabado de tomar posse e pouco se sabia do que se iria passar na sua relação com a Ucrânia. Hoje sabemos que desrespeitou o Presidente da Ucrânia numa visita à Casa Branca, que tem sido um negociador muito parcial a favor da Federação Russa e que baixou drasticamente o apoio financeiro e militar. As suas posições variam tanto que me parece impossível de prever que mais fará para satisfazer o invasor que continua a reivindicar não só os territórios conquistados, mas também território que, ao fim de quase 4 anos de combates, ainda não conquistou. Porém, com uma certeza ficamos: Para a Administração Trump a soberania da Ucrânia não é uma das suas prioridades.
A minha segunda incerteza era que outros parceiros estariam disponíveis para aumentar o seu apoio à Ucrânia de modo que o total de apoio não desça bruscamente. Aqui a União Europeia decidiu aparecer como uma solução, sendo que a maioria dos países decidiram “abrir os cordões à bolsa”, mas de uma forma que não se sinta no presente o custo. Isto significa que o custo provavelmente só se sentirá daqui a uns anos, quando as pessoas já não se lembrarem muito bem da origem da dívida.
Referi mais incertezas provocadas pela Administração Trump desde a Gronelândia, o Canal do Panamá até ao Canadá, passando pelo estado em que ficará a globalização e as guerras comerciais que se desenvolverão.
Hoje a questão da Gronelândia é uma grande incerteza porque Trump afirma que quer a ilha a bem ou pela força e os países europeus parecem dispostos a defender o direito internacional e o respeito da soberania da Dinamarca sobre o território.
Temos novamente o problema da capacidade defensiva da Europa e da necessidade de estarmos preparados para todos os cenários, mesmo os que nos pareçam mais improváveis como é o caso de um membro da NATO ameaçar outro membro.
Espero que o bom senso prevaleça, mas começo a duvidar que tal venha a acontecer com a atual Administração Americana, assim como duvidam muitos dos que votaram em Trump e que hoje estão arrependidos do seu voto.
No início de 2025 não suspeitava ainda do que iria se passar na Venezuela em Janeiro de 2026. Dado o número de portugueses e lusodescendentes que vivem nesse país, qualquer conflito armado na região terá consequências muito relevantes para Portugal. Por agora parece-me que a situação se manterá calma desde que os Estados Unidos tenham vantagem financeira da situação.
Em 2025 voltaram a ser batidos recordes de temperatura e o clima continuará a ser cada vez mais imprevisível. Com as quebras de acordos e o aumento de utilização de combustíveis fósseis nada de bom se augura.
Para terminar os direitos humanos continuarão a ser postos à prova em 2026, havendo cada vez menos respeito pela vida humana e pela qualidade como vivemos essa vida.
Dado que “eu sou eu e a minha circunstância” (como dizia Ortega y Gasset), mesmo que esta seja de incertezas e mais incertezas, a todos desejo que o Ano Novo seja muito feliz.