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Eleições Presidenciais Madeira

Ireneu Barreto duvida que próximo Representante seja madeirense

Juíz Conselheiro encerra agora “um ciclo de intervenção cívica e política de 15 anos”

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Foto IP

O Representante da República para a Região Autónoma da Madeira, juiz conselheiro Ireneu Cabral Barreto, exerceu este domingo, 18 de Janeiro, o seu direito de voto nas eleições presidenciais de 2026, na Câmara Municipal do Funchal, deixando um forte apelo à participação cívica.

À saída da assembleia de voto, Ireneu Cabral Barreto sublinhou a importância do acto eleitoral, classificando o voto não apenas como um direito, mas também como um dever dos cidadãos. “Neste dia e em todos os dias das eleições, o que eu digo aos meus conterrâneos é para virem votar. É um direito nosso, mas é também um dever”, afirmou, destacando o papel do Presidente da República enquanto “aquela individualidade que faz a coesão social” e que pode “defender a nossa continuidade territorial nestes dias conturbados”.

O representante da República para a Região Autónoma da Madeira reforçou ainda que o voto é um instrumento de protecção colectiva. “Nós detemos o dever e a obrigação de vir votar para protegermos a nós próprios, os nossos filhos e os nossos descendentes”, declarou.

Questionado sobre o significado de esta ser uma das últimas vezes que vota enquanto Representante da República, Ireneu Cabral Barreto desvalorizou a carga simbólica do momento, descrevendo-o como o ciclo normal da vida. “Nenhum. Isto é o ciclo da vida. Há um começo e há um fim”, afirmou, acrescentando que encerra agora “um ciclo de intervenção cívica e política de 15 anos”, regressando à vida privada com o objectivo de 'gozar' a sua reforma.

Sobre o seu sucessor, e confrontado com a ideia de que deveria ser um madeirense, o Juíz Conselheiro foi claro ao afirmar que não tem preferências pessoais. “O Presidente da República deve escolher livremente a pessoa que entende que melhor pode servir a República na Região”, disse, embora tenha admitido ter dúvidas quanto à relevância de ser madeirense, dando como exemplo os Açores, onde nunca houve um representante oriundo da própria região.

"Devo dizer, honestamente, que tenho dúvidas. Dou o exemplo dos Açores que nunca tiveram um representante açoriano e vivem bem com isso. O meu colega é uma pessoa estimada naquela região e foi considerada uma personalidade do ano num dos jornais da região. Vejam a diferença que há entre o tratamento do Representante da República na Madeira, que nem existe para esse efeito, e o tratamento que é dado dos Açores ao representante", rematou, frisando que "o que é preciso é alguém com bom senso, conhecimento e interesse para se dedicar aos problemas da Região, que são muitos."

Quanto ao balanço do seu mandato, Ireneu Cabral Barreto preferiu adiar essa reflexão. “Hoje é o dia das eleições. Estou com a minha consciência tranquila, mas o balanço será feito no momento oportuno”, concluiu.

Segundo o DIÁRIO apurou, a Assembleia de Apuramento Geral, que habitualmente decorre 48 horas após o acto eleitoral no Palácio de São Lourenço, irá realizar-se já amanhã, segunda-feira. A antecipação prende-se com a quase certa realização de uma segunda volta das Eleições Presidenciais de 2026, agendada para 8 de Fevereiro, permitindo assim uma publicação mais célere dos resultados oficiais.