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Ambientalistas temem que acordo UE-Merscosul aumente deflorestação e emissões de gases

Foto Shutterstock
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Grupos ambientalistas como a Greenpeace ou os Ecologistas en Acción temem que o Acordo Comercial UE-Mercosul, que será assinado no sábado, aumente a desflorestação e as emissões poluentes, colocando em risco a natureza.

Após mais de 25 anos de negociações, a União Europeia (UE) deu na sexta-feira passada luz verde ao Tratado entre os 27 e os países do Mercado Comum do Sul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), que será agora assinado no Paraguai, no meio de protestos do setor agrícola na Europa.

Entre as preocupações dos agricultores está o facto de esse acordo comercial resultar em importações baratas de produtos provenientes da América do Sul que não respeitam as normas ecológicas e de segurança alimentar.

Um porta-voz da Greenpeace, Miguel Soto, disse à agência EFE que o acordo, que permitirá a criação de uma das maiores zonas de comércio livre do mundo ao eliminar tarifas aduaneiras, traz "elementos nocivos" do ponto de vista ecológico. "A própria UE reconhece que aumentará a desflorestação", lembrou.

Entre as particularidades do controverso pacto, Soto alega que vai expor os polinizadores a mais produtos químicos, ameaçando a sua biodiversidade.

O responsável aponta ainda o potencial conflito entre o tratado e o regulamento europeu de combate à desflorestação --- o EUDR ---, que regula a importação de produtos provenientes de áreas de risco de desflorestação e que foi adiado pela segunda vez para dezembro próximo.

A contestação ao tratado é generalizada entre as organizações ambientais. Tom Kucharz, membro e porta-voz dos Ecologistas en Accion, diz que o grupo rejeita o pacto por "colocar em risco a natureza, a agricultura familiar, o emprego digno, a saúde e os direitos humanos para beneficiar as grandes empresas multinacionais".

Em Espanha, a sua aplicação "viola claramente a Lei sobre Alterações Climáticas e Transição Energética, que obriga a reduzir as emissões em pelo menos 23% até 2030 e a proteger os sumidouros de carbono, a biodiversidade e os sistemas alimentares sustentáveis", salienta.

A organização argumenta ainda que é um tratado "incompatível com os compromissos do Acordo de Paris".