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EasyJet consolidou "liderança na Madeira" em 2025

Companhia privada vê privatização da TAP como oportunidade para crescer em Lisboa

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O director-geral da easyJet Portugal acredita que a privatização da TAP deverá implicar a libertação de 'slots' no aeroporto de Lisboa e afirma que a companhia está pronta para aproveitar essa oportunidade.

Em entrevista à Lusa, José Lopes sublinha que a TAP é atualmente o operador dominante em Lisboa, o que obrigará a Comissão Europeia a impor contrapartidas, tal como faz sempre que há processos de consolidação, os chamados remédios.

"No caso do aeroporto de Lisboa, é um mercado onde a TAP é dominante, é o 'player' [operador] número um, tem perto de metade dos 'slots' [faixas horárias para aterrar e descolar] disponíveis", refere.

Segundo o responsável, qualquer entrada de um novo acionista relevante no capital da TAP levará, como já aconteceu noutros países, à imposição de medidas corretivas por Bruxelas. Esses remédios passam, tipicamente, pela redistribuição de 'slots' nos aeroportos mais congestionados, como é o caso de Lisboa.

"Portanto, uma consolidação com qualquer outro player -- e os três 'biders' [interessados] estão identificados publicamente -- levará a uma consolidação dessa posição dominante", o que, "por norma levará, tal como aconteceu recentemente no caso da compra da ITA por parte da Lufthansa, a que existam remédios", comentou.

Em causa está o interesse dos três grupos europeus Air France-KLM, IAG e Lufthansa pela compra de até 49,9% da companhia aérea portuguesa, estando 5% do capital reservado para os trabalhadores.

"Haverá certamente mais 'slots' a serem distribuídos. A easyJet (..) está disponível para aproveitar essa oportunidade que irá surgir", acrescenta, explicando que a companhia vê a privatização como uma oportunidade concreta para crescer num aeroporto onde atualmente não há capacidade disponível.

O responsável recordou que a companhia aérea já recebeu 'slots' em Lisboa no âmbito dos remédios impostos pela Comissão Europeia durante o processo de reestruturação da TAP, na sequência dos auxílios de Estado concedidos durante a pandemia.

Questionado sobre se a easyJet teria alguma preferência pelo vencedor da privatização da TAP, o responsável disse que acompanha o processo como "outsider" [espetador], mas com interesse direto nos seus efeitos concorrenciais.

"Estamos a olhar para o projeto de compra (...) como uma oportunidade para podermos crescer realmente num aeroporto que está neste momento congestionado", afirmou.

Em 2025, no conjunto do país, a companhia aérea operou um total de 96 rotas de e para aeroportos portugueses e transportou mais de 10,5 milhões de passageiros, com uma taxa média de ocupação de 92%, uma das mais elevadas de toda a sua rede.

A companhia disponibilizou mais de 11,4 milhões de lugares em Portugal, tendo consolidado a liderança na Madeira, além da segunda posição nos principais aeroportos do continente - Lisboa, Porto e Faro, como lembrou o responsável.

Questionado sobre se face a este crescimento a easyJet tem sido abordada para vender a operação portuguesa, José Lopes afastou esse cenário.

"Não, nem em Portugal nem em lado nenhum. Não existe nenhuma situação dessas perspetivada, pelo contrário", afirmou.

O objetivo "é continuar a crescer", sublinhou o responsável, que lidera a easyJet em Portugal desde 2012.