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Restos mortais de 32 militares cubanos repatriados para Cuba com honras de Estado

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Os corpos dos 32 militares cubanos mortos durante a operação norte-americana que levou à captura em Caracas do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, foram ontem repatriados para Cuba, onde foram recebidos no aeroporto de Havana com honras de Estado.

Nas imediações do aeroporto, milhares de cubanos concentraram-se numa das ruas mais emblemáticas de Havana para aguardar a chegada dos corpos de coronéis, tenentes, majores e capitães, numa altura em que a ilha continua sob ameaça da administração do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e Maduro e a respetiva mulher, Cilia Flores, se encontram detidos numa prisão federal em Nova Iorque.

As urnas foram transportadas por soldados para a sede do Ministério das Forças Armadas, junto à Praça da Revolução, tendo sido depositadas sobre uma longa mesa ao lado das fotografias dos mortos. 

Dezenas de milhares de pessoas prestaram homenagem, saudando as urnas ou colocando a mão sobre o coração, muitas delas encharcadas por permanecerem no exterior sob uma chuva intensa.

Cuba divulgou recentemente os nomes e as patentes dos 32 militares -- com idades entre os 26 e os 60 anos -- que integravam o dispositivo de segurança de Maduro durante o ataque à sua residência, a 03 de janeiro.

Entre eles encontravam-se membros das Forças Armadas Revolucionárias e do Ministério do Interior, as duas principais estruturas de segurança da ilha.

As autoridades cubanas e venezuelanas afirmaram que os militares destacados para a segurança de Maduro faziam parte de acordos de proteção existentes entre os dois países.

Para sexta-feira está prevista uma manifestação em frente à Embaixada dos Estados Unidos em Havana, num fórum ao ar livre conhecido como a Tribuna Anti-Imperialista. As autoridades disseram esperar uma mobilização em massa.

"As pessoas estão revoltadas e magoadas. Há muita conversa nas redes sociais, mas muitos acreditam que os mortos são mártires" de uma luta histórica contra os Estados Unidos, afirmou à agência noticiosa norte-americana Associated Press (AP) o analista e antigo diplomata cubano Carlos Alzugaray.

Horas antes das cerimónias fúnebres de hoje, a televisão estatal exibiu imagens de mais de uma dezena de feridos, descritos como "combatentes", acompanhados pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Rodríguez, à chegada, na noite de quarta-feira, provenientes da Venezuela. Alguns encontravam-se em cadeiras de rodas.

Os feridos e os restos mortais dos soldados chegaram num contexto de crescente tensão entre Cuba e os Estados Unidos, depois de Trump ter exigido recentemente que o país caribenho chegue a um acordo com Washington antes que seja "demasiado tarde", sem explicar, porém, que tipo de acordo estaria em causa.

Trump afirmou ainda que Cuba deixará de viver do dinheiro e do petróleo da Venezuela. 

Especialistas citados pela AP alertaram que o fim abrupto dos envios de petróleo poderá ser catastrófico para Cuba, que já enfrenta cortes graves de eletricidade e uma rede elétrica degradada.