Trump mantém posição de que Machado não tem apoio suficiente para liderar
O Presidente norte-americano, Donald Trump, mantém a opinião de que a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, não tem apoio suficiente no país para liderar uma transição na Venezuela, disse ontem a porta-voz da Casa Branca.
Questionada se Trump tinha mudado de posição sobre a mais recente galardoada com Prémio Nobel da Paz, que foi hoje recebida na Casa Branca, em Washington, Karoline Leavitt frisou que a avaliação do Presidente "era realista, baseada no que estava a ler e ouvir de seus assessores e da sua equipa de segurança nacional".
"Até ao momento, a sua opinião sobre este assunto não mudou", disse a porta-voz da presidência dos Estados Unidos numa conferência de imprensa.
Corina Machado manteve hoje um almoço com Donald Trump na Casa Branca, menos de duas semanas após os Estados Unidos terem capturado Nicolás Maduro durante uma operação militar na Venezuela, que resultou na detenção e na transferência do líder chavista e da sua mulher, Cilia Flores, para Nova Iorque. Os dois são acusados de quatro crimes federais, incluindo de conspiração para narcoterrorismo.
A líder da oposição venezuelana entrou hoje na residência presidencial dos Estados Unidos por uma porta lateral, em vez da entrada principal, reservada para chefes de Estado e altas autoridades, e não respondeu às perguntas da imprensa à chegada.
A política venezuelana chegou pouco depois das 12:00 (hora local, 17:00 em Lisboa), e saiu da Casa Branca por volta das 14:30 locais (19:30 em Lisboa).
Foi o primeiro encontro entre os dois e foi fechado à imprensa.
Ao sair da Casa Branca, Machado disse brevemente à imprensa que a reunião tinha corrido "muito bem", mas não revelou se entregou o seu Nobel a Trump, como se especulava.
A líder da oposição venezuelana cumprimentou alguns compatriotas e apoiantes que estavam reunidos em frente à residência presidencial antes de entrar num veículo rumo ao Capitólio para uma reunião com membros do Congresso.
María Corina Machado tem agendada uma conferência de imprensa para as 16:00 (horário local, 21:00 em Lisboa), nas escadarias do Capitólio, após um encontro com senadores republicanos e democratas.
A porta-voz da Casa Branca assegurou hoje que Donald Trump reconhece os esforços da política venezuelana e a sua luta pela democracia no país sul-americano.
"Sei que o Presidente estava ansioso por este encontro e confiante de que seria uma conversa boa e positiva com a senhora Machado, que é verdadeiramente uma voz notável e corajosa para muitas pessoas na Venezuela. Portanto, o Presidente está obviamente ansioso para conversar com ela sobre a realidade do país", acrescentou a porta-voz.
Até ao momento, o Presidente e respetivo gabinete descartaram Corina Machado e o seu movimento de oposição da primeira etapa da transição na Venezuela e, em vez disso, optaram pela vice-presidente chavista, Delcy Rodríguez, que assumiu o poder como Presidente interina da Venezuela com o apoio de Washington.
"Acho que seria muito difícil para ela [Corina Machado] ser a líder. Não conta com o apoio nem o respeito dentro do país. É uma mulher muito gentil, mas não goza do respeito necessário", afirmou Trump durante uma conferência de imprensa em 03 de janeiro, horas depois da captura de Maduro.