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Os ónus da mobilidade

Antes do mais, um Feliz 2026 a todos os leitores do DN - Madeira.

Hoje, como é dia de Sto. Amaro e a tradição do mesmo é “varrer os armários”, aproveitei a deixa. Não, infelizmente, para falar de algo de bom que tenha sobrado da Festa. Bem antes pelo contrário.

Não. Não me vou imiscuir, por ora, na trapalhada do governo da República, com os seus dizeres e desdizeres sobre a mobilidade. Entre os quais o mais grave foi o do 1º ministro. Que demonstrou um total desrespeito pelos Madeirenses, para além de um total desconhecimento sobre o que é o subsídio social de mobilidade. Lamentável e a não merecer desculpa!

Falo de um outro ataque ao bolso dos Madeirenses. Com implicações diretas nos orçamentos familiares. Mas também ao dos turistas, com impacto na economia regional. Que tem, no turismo, o seu setor crucial. E no “pocket money” para despesas na Região, alguma da rentabilidade da nossa restauração e demais comércio.

E para quem acha que o tema é menor, uso um exemplo concreto.

Viagem entre Lisboa e a Madeira (e volta): 465,44€.

Cuja decomposição, da estrutura do preço, demonstra que a tarifa da mesma é de 340 €. A que acrescem 42,44 € de taxas, nas quais se incluem as aeroportuárias, o que induziria um montante de 382,44€.

Mas eis senão quando e aproveitando o exemplo de outras instituições, a companhia aérea decide integrar, no bilhete, uma sobretaxa (designada como “cobrada pela companhia”). Sobretaxa essa que, depois de contactada a “dita cuja”, me disseram que se destinaria a compensar custos operacionais e que podia variar consoante a rota, o mercado, a tarifa, o combustível.

Estranha explicação esta. Porque em mais transporte algum o preço de uma viagem é ponderado e fixado, sem levar em conta as variáveis citadas. E nas companhias aéreas não acredito que também não seja. Os gastos de combustível têm, por certo, um intervalo entre dois montantes (que depende da aeronave e da sua capacidade de passageiros e carga; da rota e das eventualidades subjacentes ao tempo de viagem e outras variáveis conhecidas). Tal como a tarifa, que decorre das condições propiciadas no voo, com maior ou menor conforto e serviços.

Neste caso não! Como o nome indica, a companhia, sobre toda essa ponderação (e porventura só com base num qualquer logaritmo), avança com uma sobretaxa. Como diria uma criança, porque sim!

E que não é coisa pouca, como já perceberam pelos números. Mas que concretizo. Neste caso são 83 €.

Ou seja. Mais 24,4 % sobre a tarifa base. Ou 95,6% mais do que as taxas. As tais que as companhias sempre alegaram que eram a causa das passagens serem tão caras. Mas “gato escondido tem sempre o rabo de fora”! E agora já todos percebemos que não são as taxas...mas as sobretaxas criadas por livre arbítrio das companhias.

E, quer se queira quer não, os mais prejudicados, neste caso, são os cidadãos (ditos portugueses) da Madeira e a economia Madeirense. Tudo com o beneplácito das instituições da República. Que tecem sempre loas à Autonomia e ao entendimento dos Madeirenses como Portugueses de corpo inteiro ...mas nenhuma os trata como devia.