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Eleições Presidenciais Madeira

Albuquerque critica campanha presidencial e pede clareza política

Presidente do Governo Regional defende estabilidade e alerta para fragilidade da democracia

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Foto OD

O presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, criticou esta terça-feira o tom da campanha para as eleições presidenciais, considerando que a primeira fase ficou marcada por uma abordagem errada ao papel do chefe de Estado e por uma falta generalizada de entusiasmo.

À margem de uma iniciativa pública, Albuquerque afirmou que “a primeira fase da campanha foi os candidatos apresentarem programas de governo”, lembrando que, no sistema político português, “o presidente da República não governa”. Ainda assim, garantiu que irá fazer campanha pelo candidato que apoia, por entender que é aquele que melhor salvaguarda os interesses da Região Autónoma da Madeira. “A região precisa de estabilidade e precisa de alguém que compreenda o que é a realidade das autonomias”, sublinhou.

O chefe do executivo madeirense reconheceu, contudo, que esta tem sido uma campanha pouco mobilizadora. “Tenho de dizer, à semelhança da maioria das pessoas com quem tenho falado, que esta campanha não tem sido muito entusiasmante”, afirmou.

Questionado sobre a posição de Marques Mendes, Miguel Albuquerque foi crítico, defendendo que o candidato deve assumir posições mais claras. “O que eu espero é que, de uma vez por todas, seja mais assertivo”, disse, apontando como exemplo a ausência de uma posição firme sobre o subsídio de mobilidade. “Esta história de estar bem com Deus e com o diabo não resolve nada. Um político tem de ser afirmativo e claro nos seus princípios”, afirmou, acrescentando que quem tenta agradar a todos “perde dos dois lados”.

Sobre apelos ao boicote às eleições presidenciais devido à polémica em torno do subsídio de mobilidade, Albuquerque rejeitou essa hipótese, considerando que “isso não tem nenhum sentido”. Sublinhou que a questão deve ser resolvida dentro do quadro democrático e alertou para os perigos de discursos extremistas.

O presidente do Governo Regional deixou ainda um aviso quanto à fragilidade dos regimes democráticos, apelando ao bom senso e à moderação. “A democracia é um regime muito frágil”, afirmou, recordando os exemplos históricos da Europa dos anos 30. Para Miguel Albuquerque, atitudes extremistas, muitas vezes amplificadas pelas redes sociais, “não resolvem nada” e colocam em causa as instituições fundamentais da vida democrática.

A concluir, defendeu que a democracia exige “ponderação, moderação e diálogo”, e não “desvarios atrás de loucuras” que apenas geram instabilidade política e social.