Ensino particular quer ver contratos de associação actualizados
A direcção da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP) foi recebida, est amanhã, pelo presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, no âmbito de uma visita que está a fazer à Região, integrada na "ronda nacional" que comemora os 50 anos da associação.
O presidente da AEEP, Luís Virtuoso, apresentou alguns dos principais problemas do sector que, sobretudo no que diz respeito à falta de docentes, são comuns aos associados madeirenses.
“Neste momento temos quatro contratos com o Estado que não são actualizados desde 2010. Com a inflação, as progressões nas carreiras e todas as necessidades que os colégios vão tendo, começamos a viver imensos problemas na gestão dos colégios. Outro problema é geral e tem a ver com a formação de professores e a escassez de professores. A nova geração não quer aderir a esta profissão", explicou.
A reunião com os associados madeirenses será esta tarde, mas acredita que o problema é semelhante, "nomeadamente a falta de professores"
“Até há pouco tempo tínhamos 87 contratos de associação que permitiam que as famílias mais pobres pudessem aderir a projectos educativos mais diversificados. Com o último governo socialista esses contratos de associação foram reduzidos para 27", lamenta. O dirigente associativo considera que a redução de contratos de associação está a ter consequências negativas para todos.
“Neste momento temos uma série de associados que vivem numa bolha, os nossos alunos não vivem na vida real. Estão a elitizar o ensino em Portugal e, para nós isso é gravíssimo", explica.
O ensino privado, reconhece, tornou-se uma bolha "porque o poder político nos obrigou a isso. Quando apostamos nos contratos de associação é para que todas as famílias, independentemente da sua capacidade económica".
“O Estado não tem capacidade para fazer tudo. No ensino espacial, por exemplo, mais de 90% das escolas são privadas e são os contratos de associação que os garantem", explica. Luís Virtuoso defende uma actualização dos contratos que seria "irrisória" para o Orçamento de Estado, quando estão em causa cerca de 200 mil alunos e 40 mil educadores, docentes e não docentes.