Francisco Gomes diz ser um "desrespeito hierárquico" pronunciar-se sem ter posicionamento de Castro
Deputado madeirense do Chega à Assembleia da República concordou com a moção de censura, ao contrário de todos os outros membros da comissão política regional do partido
O deputado do Chega para a Assembleia da República pelo círculo eleitoral da Madeira, Francisco Gomes, diz que seria um "desrespeito hierárquico" pronunciar-se sem existir posicionamento do líder regional partidário, Miguel Castro. Em causa está a manchete do DIÁRIO desta segunda-feira.
"Seria não só deselegante, mas um desrespeito hierárquico eu falar sobre uma situação sem que o presidente o tivesse feito", explica.
O DIÁRIO teve acesso à acta da Reunião Extraordinária da Comissão Política do partido, que teve lugar no dia 26 de Outubro de 2024, que acaba por contrariar as declarações do líder regional partidário, Miguel Castro, que afirmou não ter sido pressionado pelo líder nacional, André Ventura, a submeter a moção de censura, que acabou por levar à queda do governo liderado por Miguel Albuquerque.
Na acta lê-se que "o presidente Miguel Castro informou que o Presidente Nacional do partido, Dr. André Ventura, solicitou que o grupo parlamentar do Chega-Madeira na ALRAM desse entrada a uma moção de censura ao actual Governo Regional”, acrescentando que perante isto "todos os membros presentes, deram o seu parecer unânime contra a moção de censura no momento".
Como é possível ler na notícia avançada pelo DIÁRIO, Francisco Gomes solicitou, aquando do conhecimento dos resultados da reunião extraordinária da Comissão Política do Chega, que ficasse registado em acta a sua discordância com os restantes membros. O deputado eleito à Assembleia da República considerava que a moção de censura "seria uma medida estratégica fundamental, que permitiria ao Chega Madeira afirmar a sua matriz como partido antissistema, distanciar-se da aura de corrupção que define o PSD-Madeira, recuperar a bandeira da luta contra a corrupção, a qual, na sua opinião, foi perdida pela viabilização do programa de governo".
O DIÁRIO tentou outras reacções no partido, nomeadamente os deputados Celestino Sebastião e Hugo Nunes, que escolheram remeter ao silêncio, não comentando a situação.
Celestino Sebastião e Hugo Nunes remetem-se ao silêncio
Deputados do Chega não comentam decisão de avançar com a moção de censura contrariando a deliberação da estrutura regional
Andreia Correia , 20 Janeiro 2025 - 13:04
Já a deputada Magna Costa avança que vai enviar um comunicado de imprensa "ao final do dia".
O DIÁRIO tentou, igualmente, obter uma reacção do líder do Chega-Madeira, contudo este alegou que apesar de ter conhecimento da notícia ainda não a tinha lido ainda, remetendo para mais tarde uma declaração, todavia até ao momento ainda não foi possível chegar à fala com Miguel Castro.