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"O jornalismo continua a ser central e importante"

Papel dos media num contexto de polarização da sociedade em debate hoje em Lisboa

Foto Shutterstock
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O papel dos media em contextos de polarização política e social e que estratégias jornalísticas usar para abordar com imparcialidade questões polémicas ou polarizadoras estão hoje em debate num seminário no ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa (IUL).

Em declarações à agência Lusa, Gustavo Cardoso, professor de Ciências da Comunicação do ISCTE, explicou que em discussão estará o papel dos media e dos jornalistas no atual contexto vivido quer na Europa, quer noutros continentes, marcado por um "discurso extremamente polarizado em termos de opinião pública".

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"As pessoas não estão disponíveis para ouvir o outro lado e há uma recusa de sequer tentar criar algum tipo de negociação ou de consenso sobre as temáticas. Parece que o mundo, de repente, se reduziu a 'ou é tudo branco, ou é tudo preto' e não há cinzentos, nem tonalidades de branco ou de preto", concretizou.

Para o professor e investigador, tal resulta, em grande parte, de terem deixado de ser apenas os jornalistas a publicarem, para se passar a ter "a população em geral a publicar".

"Portanto, se noutras alturas a discussão era saber se existiriam locais onde se praticava um jornalismo que estava a tomar posições demasiado polarizadas ou partidárias - nos anos 60, 70, 80, 90 do século passado e até a primeira década do século XXI --, a situação agora é perguntar de que forma é que o jornalismo pode não embarcar nas mesmas dinâmicas polarizadas que estão presentes nas redes sociais, de que forma é que pode contribuir para desmontar esse discurso e de que forma é que pode ser ouvido", enfatizou.

Segundo destacou Gustavo Cardoso, o facto é que, "a partir do momento em que deixou de haver um monopólio da publicação da opinião pública por parte do jornalismo, mudaram as condições".

"O jornalismo continua a ser central e importante, mas não basta existir. Tem também que ser ouvido, e tem que ser ouvido sem tentar copiar a receita do discurso polarizado, que vai em busca de pessoas que já estão disponíveis para ouvir aquilo que querem ouvir. Esse é o desafio", sustentou.

O seminário de hoje conta, entre outros intervenientes, com o jornalista da RTP Vitor Gonçalves, a editora da Área Digital da espanhola Antena 3 TV, Mónica Prado, a responsável pelos correspondentes da RAI no Vaticano, Raffaele Luise, Salomé Leal e Filipe Pardal, do Polígrafo, e Michaëla Cancela-Kieffer, da agência France Presse (AFP).

O encontro acontece no âmbito da iniciativa europeia "DepolarisingEU", que visa "criar uma rede interdisciplinar para melhorar a compreensão comum da polarização radical e identificar intervenções bem-sucedidas para reduzir a hostilidade partidária".

O objetivo é contribuir para abordar "as estratégias necessárias para responder a representações polarizadoras com vista ao seu desanuviamento", assegurando a criação de "espaços discursivos seguros para os utilizadores e o público, nos quais se possam reunir diferentes pontos de vista".

Pretende-se ainda desenvolver "ferramentas que reúnam competências de despolarização cívico-comunicativa" e "diretrizes para evitar o envolvimento involuntário no aumento da polarização", bem como divulgar exemplos de boas práticas.

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