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Tem a saúde oral em dia?

Segundo um artigo do Diário de Coimbra, de março de 2023, cerca de 2,5 milhões de portugueses só lavam os dentes uma vez por dia… ou não lavam de todo!

Isto revela muito da importância que é dada à saúde oral pelos portugueses de forma geral, e em particular, dos responsáveis máximos da saúde neste país.

Traduzindo isto em números, pelo menos 40% dos portugueses tem a falta de 1 a 5 dentes. Quase 7% nem 1 único dente tem em boca! Mais de metade da população desconhece que o sistema público de saúde português tem à disposição serviços de saúde oral, nomeadamente a Estomatologia nos hospitais e os médicos-dentistas nos agrupamentos de centros de saúde. Mais de 65% das crianças portuguesas nunca estiveram num profissional de saúde oral, e continuam a ser muitas as que não usam o cheque-dentista.

A saúde oral é importante, não apenas para a auto-estima, uma vez que um sorriso bonito consegue influenciar positivamente a nossa saúde mental (algo que é dado cada vez mais importância… e ainda bem!), mas também para a nossa saúde física! A falta de dentes, sobretudo os molares, dificulta a mastigação dos alimentos e, consequentemente, restringe a alimentação a comidas mais moles, pastosas ou líquidas. A ausência dos molares também condiciona um desgaste excessivo e desnecessário da ATM (articulação temporomandibular, a articulação que nos permite abrir e fechar a boca), o que leva a dor, dificuldade em abrir a boca, cliques e ressaltos da articulação… Além disso, a falta de dentes dificulta a fala e dá um ar idoso à pessoa.

A falta de higiene oral cria um verdadeiro oásis para as mais de 700 espécies de bactérias residentes na nossa boca. O ato de não escovar os dentes e de não lavar a boca, permite ter as condições ideais para a proliferação bacteriana, dado que terão comidinha, água (da saliva) e calor para se multiplicarem. Isto leva ao aparecimento de infeções que poder-se-ão tornar graves ao ponto de colocar em risco a vida do doente.

A má higiene oral também está relacionada com o aumento de eventos cardiovasculares (tais como enfarte agudo do miocárdio, arritmias e insuficiência cardíaca), diabetes, AVCs, entre outras. Numa mulher grávida, pode causar partos prematuros ou, na pior das hipóteses, a abortos. Tudo isto condicionará um aumento do consumo de recursos de saúde, além de que uma pessoa com dor de dentes dificilmente conseguirá trabalhar… Todos estes cenários poderão ser evitados, ou prevenidos, com a aposta em medidas de promoção da saúde oral.

E é aqui que a Estomatologia, tal como a Medicina Geral e Familiar e a Medicina Dentária, assumem um papel capital. A Medicina Geral e Familiar e Medicina Dentária com a prevenção primária, e a Estomatologia com tratamentos mais complexos e possivelmente urgentes em meio hospitalar.

Infelizmente, a Estomatologia deixou de estar presente na saúde madeirense há alguns anos… demasiados diria! A Estomatologia necessita de voltar à região para oferecer os seus cuidados diferenciados. A Estomatologia necessita de regressar à Madeira para responder às suas carências. Tenho a certeza que regressará, e em força.