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Intelectuais e juristas estrangeiros assinam manifesto a favor de Lula da Silva

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Advogados, artistas e intelectuais liderados pelo jurista francês William Bourdon enviaram um manifesto ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral do Brasil, Alexandre de Moraes, expressando preocupação com o processo eleitoral e apoio ao ex-presidente brasileiro Lula da Silva.

"Visto que o [ex] presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi inocentado de todas as suspeitas, queremos manifestar publicamente nossa indignação pelos repetidos ataques a que vem sendo submetido por seu oponente nestas próximas eleições", refere o documento assinado por personalidades como o vencedor do prémio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel, e William Bourdon, ex-secretário-geral da Federação Internacional para os Direitos Humanos (FIDH).  

"Infelizmente, notamos que esses ataques e insultos são retransmitidos por parte da 'media brasileira'. De facto, é absolutamente inadmissível, ainda que o [ex] presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha sido inocentado, que seu adversário publicamente continue referindo-se a ele como 'criminoso', 'delinquente'", acrescentou o documento.

Os signatários alegam que o atual Presidente, Jair Bolsonaro, que concorre à reeleição nas presidenciais marcadas para outubro, tem chamado Lula da Silva de criminoso para convencer a opinião pública de que o ex-presidente foi injustamente inocentado e que todos deveriam considerá-lo culpado dos atos de que foi acusado.

"É inaceitável que, ao fazê-lo, o Presidente Jair Bolsonaro e certos meios de comunicação tentem validar a ideia de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderia de alguma forma ser considerado culpado pelos factos que lhe foram injustamente atribuídos e pelos quais foi definitivamente inocentado. Isto posto, é nosso dever compartilhar com todos aqueles que prezam o respeito a esses princípios nosso estupor e nossa indignação", alegam no manifesto.

"Apelamos ao Presidente Jair Bolsonaro e à 'media' que veicula tais declarações para que demonstrem todo o rigor e responsabilidade necessários para que o debate público possa continuar de acordo com os princípios de lealdade e probidade que devem ser os de um grande país democrático", concluiu o documento.

Entre os signatários estão também Edgar Morin, diretor de pesquisa emérito do Centro Nacional de Investigação Científica (CNRS), e a filósofa Barbara Cassin.

Lula da Silva lidera as intenções de voto com a preferência de 45% dos eleitores face ao apoio de 33% declarado a Bolsonaro, 8% de Ciro Gomes e 5% atribuído a Simone Tebet na mais recente sondagem do Instituto DataFolha.

A eleição presidencial no Brasil tem a primeira volta marcada para 02 de outubro e a segunda volta, caso seja necessária, no dia 30.

Dez candidatos disputam as presidenciais brasileiras: Jair Bolsonaro, Luiz Inácio Lula da Silva, Ciro Gomes, Simone Tebet, Luís Felipe D'Ávila, Soraya Tronicke, Eymael, Leonardo Pericles, Sofia Manzano e Vera Lúcia.