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Autenticidade

Uma região como a Madeira, ou uma cidade como o Funchal, são outra coisa

Se partirmos do princípio de que o que caracteriza as sociedades humanas é a diferenciação – nas línguas, nos costumes, na arquitectura, na música e na culinária – então o turismo, como oportunidade de conhecer outras culturas, é também uma forma de nos enriquecermos a nós próprios. Por isso se diz que a autenticidade é um importante factor de sucesso num destino turístico de qualidade.

Neste caso, falar de autenticidade é falar de cidades onde ruas e praças mantém vivo o singular traçado que herdaram de outros séculos; de fachadas que preservam o carácter dos materiais locais; de mercados onde paira no ar o aroma dos frutos colhidos nos pomares; de restaurantes onde é possível degustar receitas centenárias confeccionadas por chefs que sabem combinar sabores e saberes antigos.

Por vezes a dúvida instala-se, especialmente quando um destino turístico de qualidade é, ao mesmo tempo, o supra-sumo do inautêntico, quando nele tudo é representação fantasiosa de outros lugares. A Disneyland – almejado destino das famílias felizes e abonadas – é um caso típico. Nada há a criticar nestes parques temáticos onde ninguém espera senão a fantasia, mas uma região como a Madeira, ou uma cidade como o Funchal, são outra coisa.

Talvez por isso seja descabido querer reinventar um destino que recebe turistas há mais de duzentos anos, num processo de enriquecimento mútuo que deu origem a belos jardins, a um venerável hotel com 130 anos e a um vinho delicioso cuja origem não poderia ser outra senão a Madeira. Quanto daria o arquipélago de Cabo Verde para poder financiar o seu jovem turismo com um capital deste valor? Na Madeira, inovar é olhar para o passado e nele reencontrar o que nos diferencia para, depois, o promover.