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Sindicatos de polícias apontam silêncio de Bolsonaro como estímulo aos protestos

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Sindicatos de polícias brasileiros consideram que o silêncio do Presidente, Jair Bolsonaro, que não reconheceu a derrota nas eleições de domingo, estimula atos dos camionistas que bloqueiam estradas em todo o país como forma de protesto.

"A postura do atual Presidente da República, Jair Bolsonaro, em manter o silêncio e não reconhecer o resultado das urnas acaba dificultando a pacificação do país, estimulando uma parte de seus seguidores a adotarem ações de bloqueios nas estradas brasileiras", refere um comunicado divulgado nesta terça-feira pela Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (FenaPRF) e os Sindicatos dos Policiais Rodoviários Federais de todo o Brasil.

As organizações que representam polícias do país também reafirmaram "o compromisso com o Estado Democrático de Direito. O resultado das eleições de 2022 expressa a vontade da maioria da população e deve ser respeitado".

Segundo o mesmo documento, os polícias estão a trabalhar para o restabelecimento do direito de circulação da população que, desde domingo à noite, tem sido colocado em causa por apoiantes do Presidente brasileiro.

Os camionistas que apoiam o governante brasileiro alegam não reconhecer o resultado das urnas, que deram a vitória a Luiz Inácio Lula da Silva, e segundo os 'media' locais mantém bloqueadas 267 vias em todo o país.

Os sindicatos frisaram que "compete exclusivamente à gestão do Departamento de Polícia Rodoviária Federal providenciar e disponibilizar os meios e a organização do efetivo necessários para dar cumprimento à desobstrução das rodovias federais."

O comunicado acrescentou que os sindicatos exigem uma posição firme da hierarquia "para prover os meios necessários para que a corporação cumpra suas funções constitucionais, garantindo assim o direito de ir e vir da população e resguardando a segurança e integridade dos polícias."

Os protestos, alegadamente inorgânicos e sem líder, já foram condenados por proeminentes apoiantes de Bolsonaro ligados ao agronegócio e à indústria de transportes, como a Frente Parlamentar do Agronegócio (FPA).

A presidente do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann, responsabilizou o chefe de Estado brasileiro e acusou Bolsonaro de orientar "o caos no país".

O chefe de Estado e candidato derrotado, Jair Bolsonaro, ainda não telefonou a Lula da Silva para o felicitar e está há mais de 24 horas sem fazer qualquer declaração pública desde o anúncio do resultado das presidenciais de domingo.

Bolsonaro esteve reunido, na segunda-feira, no Palácio do Planalto, com vários ministros, mas até agora ainda não lançou qualquer informação sobre quando falará sobre as eleições presidenciais.

Com 100% dos votos contados, Luiz Inácio Lula da Silva venceu as presidenciais de domingo por uma margem estreita, recebendo 50,9% dos votos, contra 49,1% para Jair Bolsonaro, que procurava obter um novo mandato de quatro anos.