Madeira

Mulheres Socialistas reclamam casa de emergência para vítimas de violência doméstica na Região

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As Mulheres Socialistas da Madeira assinalaram, hoje, de forma simbólica, em Machico, o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, com a plantação de uma árvore a que chamaram “Árvore dos Silêncios”.

A iniciativa visou, precisamente, alertar para esta problemática, passando uma mensagem de resiliência, garantindo que as vítimas não são esquecidas e, acima de tudo, alertando para a necessidade de prevenir estes crimes.

Tal como deu conta a presidente das Mulheres Socialistas da Madeira, os dados recentes indicam que este ano já foram apresentadas pelos menos 100 queixas de crimes por violência doméstica na Região e que já morreram 23 mulheres, duas das quais na Madeira. “Estas são provas claras de que continuamos a falhar como sociedade e continuamos a não fazer tudo aquilo que é preciso ser feito para prevenir estes crimes e para evitar que esta situação se mantenha”, disse Mafalda Gonçalves.

A responsável considerou que na Região há muito a fazer neste campo. “Falta uma Estratégia Regional de Combate à Violência Doméstica”, sustentou, lembrando que há mais de um ano foi anunciada a criação de uma casa de emergência para as vítimas de violência doméstica, mas essa promessa continua por concretizar. “Esta casa de emergência seria uma mais-valia para a Região, no sentido em que tem uma valência diferente da casa-abrigo, porque permite que as vítimas tenham apoio e abrigo por períodos de tempo mais curtos”, explicou Mafalda Gonçalves, acrescentando que, muitas vezes, “as pessoas que são vítimas de violência precisam justamente disso, de apenas alguns dias para conseguirem recompor a sua vida” e seguir em frente. Tal como referiu, muitas vezes, a casa-abrigo não é a solução necessária e deve ser sempre o final de linha, quando todas as outras possibilidades de ajuda não foram suficientes para socorrer a pessoa. “O que se pretende é que as pessoas que são vítimas consigam sair da situação em que estão e consigam autonomizar-se e reconstruir a sua vida”, disse ainda.

A presidente das Mulheres Socialistas mostrou-se também preocupada com o facto de a pandemia ter agravado as situações de violência nas relações de intimidade, tendo em conta que agressor e vítima ficam obrigados a estar “24 sobre 24 horas” juntos. Mafalda Gonçalves aproveitou ainda para apelar a que todas as pessoas que sejam vítimas, se sintam em perigo ou conheçam quem esteja nesta situação enviem SMS para o número 3060 (linha de apoio criada precisamente para este efeito). “Este é um crime público e todas as pessoas têm obrigação de o divulgar!”, advertiu.

Hoje, nos jardins da Graça, em Machico, foi plantada uma magnólia, árvore que simboliza a resiliência, ao passo que, o ano passado, na Ponta do Sol, foi plantada uma faia das ilhas. “O objetivo é que em todos os concelhos haja uma árvore dos silêncios, que se chama assim porque o silêncio é o pior inimigo numa situação de violência. As vítimas vivem no silêncio, no medo e na vergonha e, enquanto o crime não for denunciado, não se pode agir sobre ele”, frisou Mafalda Gonçalves.

A iniciativa contou ainda com a declamação de um poema da autoria de Luísa Paolinelli, vice-presidente do PS-M, construído a partir de palavras sugeridas pelas mulheres socialistas.