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Como será a nossa vida no dia seguinte?

Confio integralmente no compromisso dos madeirenses e porto-santenses neste combate que travamos

Ninguém se salvará sozinho. Esta é para mim a grande lição do novo coronavirús, que chegou a nós de forma brusca e repentina, a todos, pois não escolheu alvos e atingiu-nos por igual. E quando a nossa vida transformou-se em tantos aspectos, nas relações sociais, no trabalho, nos hábitos e nas rotinas mais simples, temos a certeza que vamos ultrapassar tudo isto sabendo que não estamos sós, e que a solidariedade é a única arma eficaz para combatermos este vírus.

Não sabemos quando ver-nos-emos livres da COVID-19, mas sabemos que o mundo que sairá desta crise sanitária, e o mundo somos nós, as nossas vidas e a nossa vida aqui na Região, será um mundo substancialmente diferente daquele que existia antes desta pandemia. E é sobre em que sociedade queremos viver, que gostaria de partilhar algumas reflexões.

1. POLÍTICA EM TEMPO DE MEDO: QUE DEMOCRACIA QUEREMOS?

É natural todos nós termos medo, e é por isso que se exige a quem está a governar que transmita confiança e segurança, que não vacile nas decisões, que não se irrite e aguente a pressão, que comunique de forma clara, que diga a verdade, que envolva todos no combate, que dialogue com outros níveis de poder como as autarquias e até mesmo com a oposição. O PS Madeira ao ter uma postura colaborativa e solidária, tem dado todas as condições políticas para que o Presidente do Governo Regional, com toda a serenidade, possa tomar as decisões que ache mais acertadas. Importa, quando isto acabar, que a democracia possa sair fortalecida e que esta pandemia, sob o manto do medo, não sirva para o reforço de poderes, para a “criminalização da crítica”, para instalar o autoritarismo e o populismo, ou para manipular pessoas para atingirem-se outros objetivos que nada têm a ver com sua proteção.

2. ECONOMIA EM TEMPO DE CRISE: MAIS ESTADO, MAS MELHORES SERVIÇOS PÚBLICOS E MELHOR ECONOMIA?

Esta crise veio provar a importância do Estado e de serviços públicos de qualidade, deitando por terra as teoria neoliberais que procuraram desmantelar o Estado-providência. Quando esta crise de saúde pública passar, não podemos “voltar à casa partida”, como no jogo do monopólio. Há muita coisa que tem de mudar, seja nas prioridades políticas, nas opções orçamentais ou no investimento público. Esta é a oportunidade de se realizarem reformas estruturais no Sistema Regional de Saúde, na organização do seu modelo, bem como na dotação de um investimento robusto que vá além do já previsto para a construção do, cada vez mais atrasado, novo hospital. E irmos mais além, numa área pouco explorada e até onde temos um historial, como é o turismo de saúde e bem-estar. Mas isso só será possível se tivermos um sistema de saúde que responda às necessidades dos madeirenses e porto-santenses e que possa depois ser uma referência em termos europeus. E temos condições para o ser.

3. REGIÕES AUTÓNOMAS EM TEMPO DE EMERGÊNCIA: MAIS AUTONOMIA?

A aplicação do estado de emergência voltou a reforçar a necessidade de avançarmos mais na nossa Autonomia. Primeiro, a decisão de manutenção dos aeroportos abertos com a justificação, por parte do Presidente da República, de não se pôr em causa o princípio do Estado unitário e a continuidade territorial, não faz sentido se os aeroportos fossem fechados, salvaguardando-se determinados acessos e excepções nas entradas e saídas. Segundo, a responsabilidade pela aplicação do estado de emergência na Madeira e nos Açores, não deveria ser dos Representantes da República, mas sim dos Governos Regionais, que são quem tem competências executivas, e cuja articulação deveria ser feita directamente com o Presidente da República, tal como faz o Primeiro-Ministro.

Para terminar gostaria de dizer que confio integralmente no compromisso dos madeirenses e porto-santenses neste combate que travamos, seja nos nossos profissionais de saúde e nas forças de segurança, ou nos simples cidadãos, que têm demonstrado, na esmagadora maioria, sabido estar à altura, acatando as recomendações das autoridades de saúde, neste que é um dos momentos mais difíceis da nossa vida colectiva. Vamos todos juntos conseguir!

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