Ironicamente
Começo por dizer que não sou advogada de defesa de ninguém, nem ninguém me mandatou para o que quer que seja. Faço-o com a convicção e com a percepção de que muita gente se reverá no que aqui hoje escrevo. Por isso falo no plural.
Agora, que já temos o Lobo Marinho de regresso à rota Madeira/Porto Santo/Madeira, cabe-nos agradecer, encarecidamente, aos srs. administradores da Porto Santo Line que,sem estarem obrigados a coisa nenhuma,nos fizeram chegar num navio cargueiro os bens de primeira necessidade e nos facultaram SEM CONSTRANGIMENTOS o acesso a viagens de avião, embora as pagássemos a um preço superior às de barco e tivéssemos de pagar um custo acrescido para alterar datas.Mas, sabem, nós os porto-santenses somos sempre tão ingratos e mal agradecidos.
Com um barco ininterruptamente ao nosso (?)serviço continuamos a reclamar.Até sou capaz de prever que,para o ano, voltarcemos a falar do mesmo...
Com efeito, o Lobo Marinho veio revolucionar a pacata vida desta terra e,por conseguinte, alavancar a sua frágil economia... O pequeno comércio local sofreu um aumento exponencial... no sentido inverso.
Uma larga maioria dos passageiros que faz a viagem Fx/Pxo, fá-la com recurso a pacotes especiais oferecidos regularmente pela empresa Porto Santo Line, com direito a carro, alojamento e alimentação nos hotéis que são explorados pelos respectivos donos. Para nós, esses produtos não existem. Como cada pasageiro ou família tem direito (legítimo)de viajar com o seu automóvel implica que menos serviços sejam efectuados pelos transportes públicos locais. Os restaurantes, as pensões e o alojamento local perdem clientes... Como vêem, são só vantagens. Nem sei porque reclamamos tanto.
Temos a oportunidade de fazer um só cruzeiro de um dia no ano, precisamente no dia da festa doP.S.D. no Chão da Lagoa. Único dia em que o barco sai de Pxo às 07h00 e regressa às 19h00. Fantástico. Altera-se viagens, arbitrariamente, (salvaguarde-se as condições atmosféricas) sem a preocupação das consequências que daí possam advir para nós, independentemente dos motivos de cada um, mas particularmente por razões de saúde ou de lazer, como aconteceu no final de 2019, em que muitos ficaram privados de assistir à passagem de ano no Fx. Só temos razões para sermos gratos. Nós somos mesmo assim. De vez em quando também damos coices.
Madalena Castro