BE assinala 95 anos da Revolta da Madeira com apelo à defesa da democracia
A Comissão Regional do Bloco de Esquerda (BE) da Madeira assinalou este sábado, 4 de Abril, o 95.º aniversário da Revolta da Madeira, evocando o episódio como um símbolo de resistência democrática e de luta contra regimes autoritários.
Em nota emitida, o partido considera que a efeméride “recorda a determinação de quem enfrentou a ditadura e defendeu a liberdade”, alertando simultaneamente para riscos actuais associados ao crescimento de movimentos de extrema-direita.
Conforme explicam, a revolta teve início a 4 de Abril de 1931, envolvendo militares e civis que se opuseram ao regime instaurado após o Golpe de 28 de maio de 1926. O movimento, que se estendeu também aos Açores e ficou conhecido como Revolta das Ilhas, defendia o regresso à legalidade constitucional e às liberdades políticas suprimidas pela Ditadura Nacional, antecessora do Estado Novo. Apesar de derrotado em poucas semanas, é considerado a primeira tentativa organizada de derrubar o regime.
No comunicado, os bloquistas sublinham a actualidade dos valores associados ao levantamento, afirmando que “a liberdade nunca é um dado adquirido. É preciso defendê-la diariamente contra todas as formas de intolerância e opressão”. O texto estabelece ainda um paralelismo entre o contexto de 1931 e os desafios contemporâneos, referindo como preocupante “o crescimento, dentro e fora do país, de movimentos extremistas que instrumentalizam o descontentamento popular para disseminar o ódio e atacar direitos fundamentais”.
O BE Madeira defende também uma maior valorização da Revolta da Madeira no espaço público e no ensino, considerando tratar-se de “um episódio da história da Madeira e do país que exemplifica a força de quem recusou calar-se perante a injustiça e a tirania”.
Para o Bloco de Esquerda, assinalar os 95 anos da revolta é também reafirmar compromissos políticos actuais. “A Revolta da Madeira permanece um legado de resistência e esperança”, conclui o comunicado, acrescentando que “a luta contra os fascismos de ontem e de hoje é parte essencial da identidade madeirense e do projeto democrático português”.