Madeira

Primeira ‘Sala do Futuro’ na Região entusiasma alunos e professores

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Não há giz, o quadro da ‘Sala do Futuro’ é uma espécie de ‘tablet’ em tamanho XL que se liga aos computadores dos alunos. Professor e colegas podem ver, e corrigir, o que cada aluno está a realizar, potenciando uma interacção maior entre estudantes e, acima de tudo, flexibilidade. É que as cadeiras, confortáveis, têm pequenas rodas para permitir que os miúdos se mobilizem e fiquem, por exemplo, em círculo: seja para discutir os temas de ensino com mais proximidade, como se fosse uma conversa de amigos, ou para resolverem problemas juntos.

Miguel Albuquerque, que inaugurou esta manhã a primeira sala com estas valências na Região, na Escola Dr. Eduardo Brazão de Castro (Galeão), enfatizou que o espaço, que custou cerca de 65 mil euros para ser equipado, está dotado de “um conjunto de tecnologias, desde a robótica, programação, matemáticas aplicadas, tecnologia 3D de impressão, ou interacção através de quadros tablets”, numa perspectiva “de ministrar aos nossos alunos o ensino de vanguarda, aberto ao futuro, às novas tecnologias, que vêm garantir que estamos em condições para enfrentar os grandes desafios do mundo”.

O objectivo é replicar a ‘Sala do Futuro’ a, pelo menos, “mais três ou quatro”, escolas, disse o Presidente do Governo Regional.

Nuno Jardim, presidente do Conselho Executivo da Escola Dr. Eduardo Brazão de Castro (Galeão), enalteceu que esta sala vem “criar ambientes motivadores para aprendizagem. Vamos sair da vertente mais antiga que é a do professor a expor conteúdos e passar para uma tecnologia que permite que o aluno descubra o conhecimento. O professor deixa de ser o expositor da matéria e passa a ser o indivíduo que vai ajudando o aluno na descoberta desse conhecimento”. Nuno Jardim acredita que é “muito mais atractivo do ponto de vista motivacional”, além de “muito mais rico”.

Quem também está entusiasmado são os estudantes que, apenas com três dias de utilização de algumas tecnologias já as dominam completamente. A sala está dividida em vários espaços. Hoje, naquele que se destina à matemática, ciência, engenharia e tecnologia, os alunos construíam a Ponte 25 de Abril, a partir da qual aprendiam proporções, peso, probabilidades e matemática aplicada.

Já num dos quadros ‘tablet’ o professor de português e os alunos redigiam uma notícia e, como estavam a criá-la, aproveitaram-se para debater sobre o perigo das ‘fake news’.

Numa outra mesa, vários alunos exploravam nos telemóveis aplicações orientados por outro professor, assim como colocavam óculos de realidade virtual que os transportavam para o interior de palácios, para o topo da Torre Eiffel ou para uma panóplia de cidades em todo o mundo. Com os óculos colocados, os estudantes podem andar, mexer a cabeça, movimentar-se,e assim explorar os espaços que estão a visitar virtualmente. E, claro, aprender.

A primeira destas salas foi criada em 2012, em Bruxelas. ‘Sala do Futuro’ é uma designação que simplifica a instalação de “ambientes inovadores de aprendizagem” e o seu formato diferencia-se das salas tradicionais, por ser concebida para a oferta de diversas actividades no mesmo espaço.

Como pesquisa, aprofundamento do conhecimento sobre os dados recolhidos, apresentação e partilha de dados e conclusões, bem como de criação e desenvolvimento.

Este novo método obriga a que os alunos interajam nas diferentes abordagens ao conteúdo em estudo e se tornem em produtores de conhecimento, ultrapassando o papel passivo que a sala de aula tradicional facilita. Neste quadro, o papel do professor situa-se principalmente na função de orientador e guia da construção, aquisição e consolidação do conhecimento pelos discentes.