O estatuto das mulheres através da História
Segundo alguns historiadores e historiadoras, os homens sempre tiveram a primazia sobre as mulheres, logo nos tempos primitivos, uma vez que eram caçadores, actividade nobre na época. Mas há outra corrente que afirma que eram as mulheres que exerciam o poder nas comunidades primitivas, uma vez que davam à luz os filhos, eram elas as mães, e os pais eram desconhecidos. Seriam os matriarcados.
Porém, quando a humanidade entrou na fase da sedentarização, os homens tornaram-se proprietários de terras e rebanhos e foram instituídos os contratos de casamento, de modo que cada um soubesse quais os seus filhos, herdeiros dos seus bens. As mulheres passam a ser obrigadas a casar com homens que lhes eram impostos, a respeitá-los e a dar-lhes filhos. Se não tivessem filhos, eram repudiadas e os maridos celebravam outro casamento, na mira de terem herdeiros. As mulheres repudiadas, sem meios de subsistência, muitas vezes vendiam favores sexuais e, quando eram descobertas, poderiam ser apedrejadas até à morte.
Quem diz que a prostituição é a profissão mais antiga do mundo não tem a noção de que, antes de aparecer a propriedade privada não havia comércio e não se comprava nem vendia sexo.
Os contratos de casamentos prevaleceram até aos nossos dias, com uma diferença substancial: pelo menos nos países mais desenvolvidos ninguém é obrigado a contrair matrimónio. Mais: segundo ouvi de uma investigadora, o casamento religioso só foi instituido no séc XI ou XII da nossa era, com a finalidade de exigir aos homens fidelidade e respeito para com as suas esposas.
Portanto, as mulheres viveram durante milhares de anos, submetidas à vontade dos homens da sua família: pai, irmãos, tutores e depois o marido, quando casavam. E esta situação ainda se arrasta em muitos casos. Ao longo da história do ocidente, que conhecemos melhor, apareceram diversas mulheres que se vestiram de homens e exerceram tarefas reservadas aos homens, como guerreiras, escritoras e até médicas. E algumas foram sacrificadas, acusadas de bruxaria. Mas tratava-se de casos pontuais e não mudaram as sociedades.
A emancipação feminina começou a afirmar-se na época da revolução industrial. Mulheres e homens foram forçados a trabalhar nas fábricas, fora da esfera familiar, e cada operário ou operária ganhava o seu dinheiro para a sua subsistência. Essas mulheres “comeram o pão que o diabo amassou”.Sem regulamentos de trabalho, sem direito a reivindicar, muitas vezes grávidas ou com crianças para amamentar e obrigadas a trabalhar até à exaustão. A partir daí, começaram a partilhar as lutas, a ombrear com os homens na esfera pública e começaram a abrir caminho para a criação de mutualidades, sindicatos e outras organizações e formas de luta. Na Madeira chegou a haver uma mutualidade formada apenas por mulheres.
Mas ainda subsistem muitas formas de opressão e exploração sobre as mulheres, apesar do muito que foi melhorado pelas mulheres que nos antecederam. Ainda não foi conseguido o direito a salário igual para trabalho igual, reivindicado há mais de cem anos. Exige-se muito mais às mulheres no serviço doméstico, cuidados com as crianças, doentes, inválidos e idosos na esfera privada. A violência doméstica é uma praga que predomina e, apesar das leis aprovadas, poucos agressores são devidamente castigados. A violência no namoro está a aumentar, assim como os preconceitos e o assédio sexual e psicológico e outras pragas, alimentadas por aqueles que dominam o mundo e tudo fazem para que se mantenham estas desigualdades e opressões, de modo que a sociedade não avance no caminho da igualdade, da liberdade, da paz e da concórdia entre os seres humanos. “Quem está bem deixa-se estar” é um provérbio antigo e sempre actual.
Neste dia 8 de Março de 2018, pensemos um pouco nestes problemas e que cada mulher prometa a si própria fazer alguma coisa para melhorar o estatuto social das mulheres no SÉC XXI. E assim acontecerá o DIA INTERNACIONAL DA MULHER.
Conceição Pereira