Sindicatos dos médicos vão discutir formas de luta
A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) e o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) vão discutir, no próximo dia 19, “formas de luta conjunta”, informou hoje, à agência Lusa, o secretário-geral do SIM, Jorge Roque da Cunha.
Questionado sobre resultados da reunião com a tutela na quinta-feira, o dirigente sindical afirmou que o “processo negocial continua”, acrescentando estar marcada para o próximo dia 19 “uma cimeira com a FNAM, para discutir formas de luta conjunta” e para uma reunião com o Ministério da Saúde, no dia 28.
Em comunicado divulgado hoje sobre a reunião do passado dia 08, a FNAM acusou o Ministério da Saúde de continuar a “adiar as negociações, não respondendo à maior parte dos problemas apresentados”. Os médicos têm uma greve marcada para abril.
Segundo o comunicado, apesar de estar a ser equacionada a alteração de 200 para 150 horas anuais, como limite de trabalho extraordinário no serviço de urgência, “mantém-se o impasse na alteração de 18 para 12 horas de serviço de urgência dentro do horário normal de trabalho, bem como a diminuição da lista de utentes”.
A FNAM referiu que as questões das horas e da diminuição dizem respeito a medidas impostas pela ‘troika’, criticando ainda o ministério por não ter sido “capaz de responder sobre o que vai fazer aos médicos indiferenciados, resultantes da promulgação do novo Decreto-Lei do Internato Médico, apenas comentando que será um ‘problema’”.
A FNAM também indicou falta de resposta à abertura de apenas 500 vagas para os recém-especialistas da área hospitalar e ao número dos contratos individuais efetuados diretamente pelos hospitais. Outra questão abordada foram os atrasos nos concursos para colocação dos médicos especialistas.
“Quanto à negociação das carreiras e grelhas salariais, foi afirmado pela Secretária de Estado, Dra. Rosa Valente de Matos, que ‘neste ano não há espaço para isso’ e, quanto ao subsídio de risco e penosidade, afirmou também que não é matéria da responsabilidade do Ministério da Saúde”, segundo a FNAM.
“Não houve qualquer resposta ou proposta para todas as outras questões constantes do caderno reivindicativo da FNAM. Chega! Os médicos dizem basta!”, lê-se no comunicado.
No passado dia 06, o ministro da Saúde garantiu que o Governo mantém a porta aberta para o diálogo com os médicos, mas lembrou que há limites relativos à segurança orçamental e à estabilidade do país.
Escusando-se a detalhar até onde o Ministério da Saúde pode ir nas negociações, o titular da pasta da Saúde considerou: “Os limites que os sindicatos têm são compreensíveis, mas nós também temos os nossos próprios limites, que são os da segurança orçamental e da estabilidade do país”.
A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) anunciou, no passado dia 03, a realização de uma greve nacional a 10, 11 e 12 de abril, e uma manifestação em frente ao Ministério da Saúde, em Lisboa, a 10 de abril. Entre as reivindicações da FNAM está a revisão da carreira e das grelhas salariais dos médicos, tendo por base o regime das 35 horas semanais.
O descongelamento imediato da carreira médica e a devida progressão salarial, bem como o propósito de dar um médico de família a todos os cidadãos estão igualmente entre as propostas defendidas pela estrutura representativa dos médicos.
Os médicos pretendem também a abertura de concursos anuais, a criação de um estatuto profissional de desgaste rápido, a separação progressiva dos setores público e privado, além do limite do trabalho extraordinário anual para 150 horas, “em igualdade com toda a outra função pública”.
O SIM, por seu lado, não tem descartado a hipótese de se juntar à greve nacional, mas ainda acredita no processo negocial com o Governo.