Outro Funchal

Hoje, o Funchal é o palco das hesitações de quem não sabe o que quer nem sabe como fazer

13 Ago 2018 / 02:00 H.

A nossa capital está diferente. Todos nós, madeirenses e portossantenses, sempre manifestamos um carinho especial pelo nosso Funchal e nunca admitimos que o mesmo fosse mal tratado, indevidamente referenciado ou mesmo usado em comparações desprovidas.

Habituámo-nos a ver esta cidade entre as melhores do país e merecedora de vários reconhecimentos a nível internacional. Eram muitos os motivos: a limpeza, as flores, os jardins, a organização e mesmo a animação.

Regularmente, o Funchal era tido como a terceira cidade do país, após Lisboa e o Porto.

O tempo presente é outro e a realidade não nos deixa indiferente. O Funchal deixou de ser a tal referência, já não é o exemplo naquilo que nos fazia únicos e caminha numa orientação alicerçada na vulgarização, na cópia e na importação de iniciativas que acontecem por toda a parte, sem qualquer relação com a nossa identidade.

Hoje, o Funchal é o palco das hesitações de quem não sabe o que quer nem sabe como fazer.

A gestão dos espaços públicos é caótica. A segurança das pessoas é colocada em causa vezes sem conta. As consequências da má administração nunca são assumidas e os cidadãos passaram a ser um número importante apenas quando relacionados com atos eleitorais.

O Funchal não tem um projeto de modernidade, não apresenta uma ideia de futuro, nem lidera qualquer iniciativa que marque a diferença na reflexão da vida das cidades.

Tudo isto acontece ao mesmo tempo em que se assiste, mesmo em Portugal, à afirmação internacional de cidades, noutrora discretas, por via da diminuição dos custos de contexto para os cidadãos, através da introdução de práticas inteligentes de relacionamento com a população, com a aposta clara em projetos de sustentabilidade ou na concretização de importantes investimentos na área da eficiência energética. Curiosamente, todas estas áreas de sucesso estão relacionadas com a inovação, com o empreendedorismo, com a tecnologia ou com o ambiente.

Quem conhece o Funchal sente que esta cidade quer mais, quer melhor e quer aquilo que merece. O Funchal tem história, tem tradição e tem a força de uma população que é única na resistência, na resiliência e na capacidade de vencer.

O Funchal anda triste porque está nas mãos de quem o quer apenas para se servir desta cidade, para saciar, única e exclusivamente, a sua ambição pessoal, fazendo desta autarquia um trampolim político e dos funchalenses os tolos que não somos.

O Funchal não precisa de mais propaganda, de anúncios em rodopio, de recuos em catadupa. O Funchal precisa de quem cuide dele, de quem se interesse pela sua população e de quem olhe para o seu futuro como sendo o futuro coletivo de toda uma cidade onde vivem milhares e por onde passam milhões.

Eduardo Jesus

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