Falar da guerra a crianças com “Mapa - Contos e cantos” no palco do Teatro S. Luiz
A pesquisa de histórias de resistência e evasão, centrados nos universos feminino e infantil, em territórios em guerra, estão na base de “Mapa - Contos e cantos”, espetáculo que se estreia hoje no Teatro S. Luiz, Lisboa.
Da autoria de Fernando Mota, a peça que sobe ao palco da sala Mário Viegas é um projeto que engloba duas versões do mesmo espetáculo: “Estórias de Mundos distantes”, para público adulto, e “Contos e cantos”, para o público infantil.
É um espetáculo multidisciplinar criado a partir de textos originais, a poesia oral de mulheres afegãs e músicas e sonoridades de várias culturas de África e do Médio Oriente.
A partir de materiais plásticos e audiovisuais “Mapa - Contos e cantos” procura refletir sobre os conceitos de território, fronteira, de pertença e de liberdade.
No pano que resta de uma tenda são projetadas as imagens em palco, onde Fernando Mota está sozinho sem que, contudo, lhe faltem vozes nem personagens em redor.
Caixas de madeira e sacos de serapilheira, espalhados pelo chão, e caldeiras de chapa suspensas do teto marcam o cenário de “Mapa - Contos e cantos”, um espetáculo imersivo e cinematográfico que pretende levar os espetadores para territórios e quotidianos diferentes dos seus - para lugares há muito em conflito, povoados de gente desfavorecida, sem terra, sem casa, sem quase nada.
Este não é um espetáculo sobre a guerra, mas antes sobre quem lhe sobrevive. Por isso, olha para regiões como o Afeganistão, a Síria, o Sudão, a Nigéria, a Palestina e tantos outros. E procura ver como vivem as crianças e as mulheres, enquanto os homens combatem.
Trata-se, pois, de um espetáculo sobre histórias paralelas aos conflitos armados, que usa música, vídeo, texto dito e texto gravado.
A ideia de o fazer nasceu da vontade de trabalhar a partir dos poemas das mulheres afegãs, os ‘landay’.
Aquilo que seria um espetáculo para adultos, acabou por se transformar em duas peças distintas: “Mapa - Cantos e Contos”, para crianças maiores de seis anos, e “Mapa - Estórias de Mundos Distantes”, pensado para um público com mais de 16 anos.
Em ambos põe-se em palco, porém, o mesmo universo, adaptando a mensagem à faixa etária a que se destina: sessões de teatro, dança, cinema, que podem decorrer numa atmosfera mais descontraída e acolhedora e com mais tolerância, no que diz respeito ao movimento e ao barulho na plateia; e que podem ainda implicar pequenos ajustes no espetáculo (iluminação, som) e no acolhimento do público, para melhor se adaptarem às suas necessidades. Estas sessões procuram reduzir os níveis de ansiedade.
Para um público alvo com mais de seis anos, a peça terá récitas para escolas - de terça-feira a sexta, às 10:30 -, e, para famílias, aos sábados e domingos, às 16:00.
“Mapa - Contos e cantos” vai estar em cena até domingo. No sábado, haverá uma conversa com a equipa no final do espetáculo.
No domingo, haverá uma sessão designada como “descontraída”.
Criada e interpretada por Fernando Mota, a peça tem dramaturgia e traduções de Francisco Luís Parreira, enquanto os textos adicionais são de poesia popular afegã e do jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano.
A direção cénica é de Caroline Bergeron, a música, de Fernando Mota, e a música adicional, de Braima Galissa, George Gurdjjeff e Woody Guthrie.
A cenografia é de Fernando Ribeiro, o desenho de luz, de José Álvaro Correia, e os vídeos, de Miguel Quental.
Nos vídeos estão as atrizes Ana Sofia Paiva, Cláudia Andrade e Lucília Raimundo e, nas vozes gravadas, Ana Sofia Paiva, Cláudia Andrade, Gaspar Vasques, Lucília Raimundo, Serena Sabat e Tiago Mota.
“Mapas - Contos e cantos” é um projeto financiado pelo Ministério das Cultura e tem coprodução do Cineteatro Louletano, do Teatro Aveirense e do São Luiz Teatro Municipal.