‘Designers’ portuguesas propõem em Roma futuro da moda internacional

Roma /
29 Jun 2018 / 09:28 H.

Entre os estúdios de cinema da chamada “Hollywood italiana” - a Cinecittá, em Roma - cinco jovens ‘designers’ portuguesas apresentaram, esta quinta-feira, as respetivas propostas para o caminho a seguir pela moda internacional.

No arranque da Altaroma, uma mostra de tendências rodeada de cenários de uma Roma clássica e desaparecida, as ‘designers’ usufruíram de uma plataforma, palco e ‘passerelle’ privilegiados para a divulgação das próprias identidades profissionais.

Joana Braga, Nycole, Daniela Pereira, Maria Pereira e Mara Flora terão beneficiado de uma “noção daquilo que é uma apresentação profissional fora de portas, mas também de ‘olheiros’ internacionais muito próximos do trabalho deles”, disse à Lusa Mónica Neto, em representação do Portugal Fashion.

Esta quarta participação do projeto de moda da ANJE (Associação Nacional de Jovens Empresários) no calendário da Semana de Moda da capital italiana permitiu ainda “perceber o interesse da Altaroma nesta parceria não só com o Portugal Fashion, mas também com o Bloom, que é a sua plataforma de jovens criadores, que encontrou aqui um parceiro com uma missão muito semelhante”, reforçou a responsável.

Para uma das cinco jovens criadoras, Joana Braga, a principal inspiração para a mostra que exibiu em Roma “foi o procrastinar, isto é, a atitude de uma pessoa quando tem tarefas para fazer e acaba sempre por adiá-las e passá-las à frente, uma atitude muito ‘summer’ (verão) e, basicamente, o inacabar de algo importante, como um vestido”, disse à Lusa, acabada de apresentar uma coleção de vestidos de uma só manga, entrecortados por riscas de verão e inspirados no filme de 1967 “La Collectionneuse”, de Éric Rohmer.

Já para Nycole, a marca de ‘menswear’ a que dá o nome só recolhe vantagens em desfilar na Altaroma, sobretudo pelo que considera “um mercado bom, principalmente na área do vestuário masculino”, em que cruza inspirações dos anos 1970 ao elaborar “uma mistura entre o desportivo e o ‘vintage’”, com bonés, ‘blazers’ e calções reminiscentes do ‘streetware’ e de equipamento de ‘baseball’ antigo, tudo ao som de Led Zeppelin.

“É incrível, porque aqui temos mais noção de o que é fazer um desfile”, disse à Lusa Daniela Pereira, autora de uma coleção inspirada na bailarina e coreógrafa alemã Pina Bausch e incidente “sobre a ideia do homem, do masculino, mas também um homem mais feminino”, traduzida em conjuntos de tecidos fluidos - “como normalmente a dança é “- e cruzados com tecidos rígidos, coletes de lã, formas sólidas.

Repleta de transparências e PVC, a coleção de Maria Meira, de cariz assumidamente minimalista, incluiu ainda a palavra “Sub” em várias tiras de plástico descendentes, no que a ‘designer’ em ascensão descreveu à Lusa como querendo dizer “inferioridade, tipo o lado da mulher que às vezes se leva para isso. Depois, foi brincar e divertir-me um bocado.”

Também Mara Flora preferiu conjugar materiais artificiais, como poliéster, com outros “mais crus, como a sarja - completamente crua, sem tratamento”, para atingir um efeito de contraste entre o industrial e o natural, com recurso a algodão acetinado.

Se para a jovem criadora o contexto das suas peças muda, na capital italiana, no sentido em que sente “um entusiasmo proporcional ao tamanho da cidade e ao público que Roma representa enquanto consumidor de moda”, já para Simonetta Gianfelici, colaboradora e “buscadora de talentos” da Altaroma, os “criadores portugueses estão ao começar, também em Itália, a depender de uma maior visibilidade.”

“Adoro o trabalho que estão a fazer, muito parecido com a nossa missão no Altaroma, transversal às instituições, para apoiar a criatividade - a produtividade do ‘Made in Portugal’”, considerou, ressalvando que “a criatividade nasce das próprias raízes culturais, que são indispensáveis para qualquer tipo de talento”.

“Hoje em dia, um talento não se pode concentrar apenas no ‘design’, mas tem necessidade de olhar à volta, saber muito de ‘marketing’ de comunicação, e, na minha opinião, também de ética”, disse à Lusa.