Trabalhadores dos call centers continuam greve intermitente em Dezembro

Lisboa /
30 Nov 2019 / 07:12 H.

Os trabalhadores dos centros de atendimento telefónico de empresas vão continuar ao longo de dezembro a greve intermitente que iniciaram em 01 de novembro por melhores salários e condições de trabalho, disse hoje fonte sindical.

Vitor Correia, dirigente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual (SINTTAV), disse à agência Lusa que foi emitido um novo pré-aviso de greve, para vigorar entre 01 e 22 de dezembro, porque as empresas do setor, de trabalho temporário e ‘outsorsing’, “continuam a não querer dialogar com os sindicatos”.

Os trabalhadores dos centros de atendimento telefónico de empresas vão também participar numa concentração contra a precariedade no setor das telecomunicações, que se realiza na quinta-feira junto ao Ministério do Trabalho.

Estes trabalhadores fizeram um dia de greve nacional no final de outubro e estão desde o início de novembro abrangidos por um pré-aviso de greve que lhes dá a possibilidade de paralisar nos dias que entenderem, mas em períodos de hora e meia.

Segundo o SINTTAV, esta foi a forma encontrada pelos trabalhadores dos call-centers para surpreender as empresas, que normalmente reorganizam as tarefas para evitar o impacto negativo das greves.

De acordo com Vitor Correia, o número de trabalhadores a fazer greve tem aumentado ao longo do mês, sobretudo na Ramstaad.

O pré-aviso de greve é válido até ao último dia do mês de novembro, das 11:00 às 12:30, das 15:00 às 16:30 e das 19:30 às 21:00.

A greve de dezembro decorrerá nos mesmos períodos e nos mesmos moldes.

Segundo Vitor Correia, estes trabalhadores auferem salários muito baixos, não têm condições de trabalho e são eternamente precários, pois trabalham em regime de subcontratação.

Na base da luta está também a reivindicação de integração nos quadros das empresas para as quais prestam serviços, nomeadamente a MEO, NOS, Vodafone, EDP, Segurança Social.

Se os trabalhadores dos call-centers das empresas de telecomunicações fossem integrados nos quadros das empresas onde prestam serviço passariam a ser abrangidos pela contratação coletiva e teriam mais direitos e melhores condições de trabalho, considerou o sindicalista.