Salvini diz que “os extremistas são aqueles que têm governado a Europa”

Líder da extrema-direita italiana diz que partidos nacionalistas europeus praticam uma “política do senso comum”

19 Mai 2019 / 01:00 H.

O líder da extrema-direita italiana, Matteo Salvini, defendeu este sábado num comício, em Milão, que os partidos nacionalistas europeus praticam uma “política do senso comum”, afirmando que os extremistas são aqueles que lideram a Europa há duas décadas.

“Não há aqui extrema-direita, mas uma política do senso comum. Os extremistas são aqueles que têm governado a Europa nos últimos 20 anos”, declarou o líder do partido Liga e vice-primeiro-ministro do Governo de coligação italiano, num comício realizado numa das principais praças de Milão (norte de Itália), que contou com a presença de outros 11 partidos nacionalistas de direita europeus, incluindo o francês União Nacional, liderado por Marine Le Pen, e o holandês PVV de Geert Wilders.

“Não há aqui extremistas, racistas e fascistas. A diferença é entre aqueles que olham para a frente, aqueles que falam sobre o futuro e trabalham e aqueles que fazem processos do passado. [...] Nós estamos a construir o futuro”, declarou Salvini, citado pelas agências italianas e internacionais.

Este comício promovido por Salvini, que também assume o cargo de ministro do Interior, é realizado a uma semana das eleições europeias (agendadas de 23 a 26 maio nos 28 países da União Europeia) e surge dos planos do político italiano de querer formar uma aliança nacionalista parlamentar após o escrutínio.

Projeções recentes indicam que esta futura aliança de nacionalistas poderá tornar-se na terceira força política no futuro Parlamento Europeu (PE).

O comício ficará, no entanto, marcado pelo escândalo que atingiu hoje o líder do partido de extrema-direita FPÖ e número dois do Governo austríaco, Heinz-Christian Strache, que foi gravado, por uma câmara oculta, a prometer a uma suposta sobrinha de um milionário russo a adjudicação de contratos públicos em troca de apoio financeiro para a formação política.

No seguimento destas revelações, o vice-chanceler austríaco anunciou hoje a sua demissão.

Ao mesmo tempo que decorria o comício promovido por Salvini, as agências internacionais relatavam que noutra zona de Milão estava a acontecer uma contramanifestação com o objetivo de “contrariar a onda soberana e nacionalista” do líder da Liga.

Durante a sua intervenção no comício, que reuniu uma multidão pouco expressiva segundo a imprensa internacional, Salvini prosseguiu afirmando que “os extremistas são os da especulação, do desemprego e aqueles que tentaram provar que não havia alternativa à precariedade”.

A primeira proposta que deseja apresentar no PE, acrescentou, será a “Carta dos Direitos dos Povos Europeus”, na qual estarão consagrados os direitos do trabalho, da felicidade e da saúde.

“A Europa das nações, da democracia - terá de ser central novamente no PE, que é a única instituição que é livremente escolhida”, afirmou o político italiano, desejando a vitória do grupo parlamentar Europa das Nações e das Liberdades (composto por nacionalistas, eurocéticos e populistas de extrema-direita) depois de tantos anos “de desastres” de “uma elite contra o povo”.

As migrações não foram esquecidas e Salvini assegurou: “Se formos o primeiro partido na Europa, a política anti-imigração chegará a toda Europa e mais ninguém entrará aqui”.

O líder da Liga acabou a sua intervenção com referências às raízes católicas da Europa, exibindo um rosário nas mãos e confiando a sua vida “ao coração imaculado de Maria”, que irá ajudá-lo, segundo o próprio, a alcançar a vitória.

Antes de Salvini, falaram alguns dos políticos internacionais convidados para este comício de forças nacionalistas.

Foi o caso de Marine Le Pen, que afirmou, numa intervenção muito aplaudida, que a atual UE submete os Estados a uma “oligarquia sem raízes”.

“Não queremos essa oligarquia sem raízes e sem alma que nos dirige com a ambição de querer a submissão das nossas nações”, declarou a líder da União Nacional.

Le Pen também atacou a imigração, defendendo que “submete os países e coloca em perigos os povos”.

“A Europa pode encontrar a sua coerência e a sua força apenas nas nações que a compõem”, reforçou a política francesa, lançando um último apelo: “Em 26 de maio, levaremos a revolução a toda a Europa. Em 26 de maio, iremos devolver o poder aos povos e a Europa voltará a levantar a cabeça”.

Outra intervenção da tarde foi a do líder do Partido pela Liberdade (PVV) holandês, Geert Wilders, que defendeu a necessidade de travar “a islamização da Europa”.

“Para sermos pessoas livres, devemos ser fortes. Temos de defender as nossas nações, ter mais soberania nacional e assumir a responsabilidade dos nossos países”, disse Wilders.

O político holandês criticou aquilo que considera ser “as ordens das super-estrelas” da UE e frisou: “Chega de imigração. Chega de Islão”.

Geert Wilders teve ainda tempo para elogiar Matteo Salvini, “um exemplo” por causa das suas posições políticas em matérias relacionadas com as migrações.

Outras Notícias