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Polícia trava “coletes amarelos” com gás lacrimogéneo às portas do Eliseu

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A polícia francesa lançou hoje gás lacrimogéneo e um camião de água para tentar travar os “coletes amarelos”, manifestantes que não respeitaram zonas interditas e desceram os Campos Elísios para chegar à residência oficial do Presidente Emmanuel Macron.

A situação entre a polícia e os manifestantes intensificou-se esta manhã nos Campos Elísios, com centenas de “coletes amarelos” a descerem a famosa avenida da capital, apesar de o movimento ter sido proibido de aí se manifestar.

Os confrontos começaram a surgir quando alguns membros do movimento tentaram fugir pelas laterais das barricadas policiais.

O objectivo dos manifestantes é chegar ao Palácio do Eliseu, mas todas as entradas possíveis estão barricadas com redes e polícias de choque.

De modo a dispersar os “coletes amarelos”, a polícia atirou várias granadas de gás lacrimogéneo fazendo com que o ar à volta da residência oficial do Presidente se tornasse, se tornasse, durante minutos, irrespirável.

Os manifestantes estavam pelas 11 horas dispersos em várias ruas que dão acesso ao Palácio do Eliseu, sem sinais de abrandar com a sua demanda “Macron demissão” e cantando também o hino nacional.

Grande parte dos manifestante trouxeram máscaras antigás lacrimogéneo.

O Ministério do Interior tentou canalizar os manifestantes para o Champ de Mars, perto da Torre Eiffel, mas o movimento não acatou as ordens.

O movimento dos “coletes amarelos”, que desde há uma semana promove protestos e marchas lentas em França contra o aumento do imposto sobre combustíveis, prometeu bloquear hoje Paris, segundo apelos na rede social Facebook.

Os protestos dos “coletes amarelos”, numa referência aos coletes amarelos que todos os automobilistas devem ter nos automóveis para se tornarem visíveis, começaram na manhã do passado dia 17 e mobilizaram centenas de milhares de pessoas em todo o país.

Os protestos afectaram também mais de 10 mil camionistas portugueses, disse à Lusa o presidente da Associação de Transportes Públicos Rodoviários de Mercadorias.

Os “coletes amarelos” são um movimento cívico à margem de partidos e sindicatos criado espontaneamente nas redes sociais e alimentado pelo descontentamento da classe média-baixa.

O movimento, que alargou os protestos contra a carga fiscal em geral, é um novo obstáculo para o executivo de Emmanuel Macron, que decidiu aumentar os impostos dos combustíveis para promover a transição energética.

O Governo decretou um aumento dos impostos dos combustíveis de 7,6 cêntimos por litro para o ‘diesel’ e de 3,9 cêntimos para a gasolina e, a partir de Janeiro, serão aplicadas taxas adicionais a estes produtos de 6 e de 3 cêntimos, respectivamente.

Os “coletes amarelos” têm o apoio de 74% da população francesa, segundo uma sondagem publicada na passada sexta-feira.