Papa pede que conferência internacional de Berlim leve à paz e à estabilidade na Líbia

19 Jan 2020 / 12:16 H.

O Papa Francisco pediu hoje que a conferência internacional em Berlim sobre a crise na Líbia, sob a égide da ONU, sirva para fomentar a paz e a estabilidade neste país do norte de África.

“Realiza-se hoje uma conferência em Berlim para discutir a crise na Líbia. Espero sinceramente que este encontro tão importante seja o começo de um caminho para a cessação da violência e uma solução negociada que leve à paz e à estabilidade tão desejada do país”, disse Francisco, depois da oração do Angelus.

O encontro foi convocado na semana passada pela chanceler alemã, Angela Merkel, após 10 meses de combates iniciados pela ofensiva lançada pelo Exército Nacional Líbio (ENL), do marechal Khalifa Haftar, contra Tripoli, sede do governo de acordo nacional (GAN, reconhecido pela ONU) do primeiro-ministro Fayez al-Sarraj.

Os combates causaram cerca de 1.500 mortos, incluindo mais de 280 civis, e perto de 150.000 deslocados.

A conferência acontece depois de negociações em Moscovo, sob a égide da Rússia e da Turquia, cujos presidentes, Vladimir Putin e Recep Tayyip Erdogan, pediram um cessar-fogo que está em vigor desde domingo passado, apesar de Haftar não ter assinado o acordo, ao contrário de Sarraj.

Além dos dois rivais - o marechal Khalifa Haftar e primeiro-ministro Fayez al-Sarraj - foram convidados a participar na conferência os Estados Unidos, a Rússia, o Reino Unido, França, Itália, China, Turquia, República do Congo, Argélia, Egito, Emirados Árabes Unidos, União Europeia, Liga Árabe e a União Africana.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também vai participar na conferência e pediu às partes para se comprometerem construtivamente com a resolução do conflito.

“Prevê-se uma troca de opiniões sobre a crise líbia, incluindo um ponto sobre o fim das hostilidades; a reconciliação entre as partes em confronto e a exposição do diálogo político, sob os auspícios das Nações Unidas”, indicou uma nota do gabinete do presidente russo ao anunciar a deslocação de Putin a Berlim.

Antes o seu chefe da diplomacia, Sergei Lavrov, tinha indicado que os projetos de textos finais da conferência estavam quase concluídos, lamentando, no entanto, que os beligerantes recusem encontrar-se frente a frente.

A Líbia, que dispõe das mais importantes reservas africanas de petróleo, é palco de violência e de lutas pelo poder desde a queda e morte em 2011 do ditador Muammar Kadhafi, após uma revolta popular e uma intervenção militar conduzida pela França, Reino Unido e Estados Unidos.

Atualmente a Líbia conta com dois “governos”, um em Tripoli e outro no leste. A nível regional, o de Sarraj recebe ajuda da Turquia e do Qatar, enquanto o ligado a Haftar é apoiado pela Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Egito, rivais de Ancara.