ONU alerta para tortura e maus-tratos em prisões no Afeganistão

17 Abr 2019 / 15:45 H.

Cerca de um terço de todos os detidos relacionados com o conflito no Afeganistão denunciaram ter sofrido tortura e maus-tratos, alertou hoje a Organização das Nações Unidas (ONU) em relatório.

As autoridades da ONU entrevistaram um total de 618 detidos mantidos em 77 instalações do Governo em todo o país entre janeiro de 2017 e dezembro de 2018.

A alegada tortura incluía espancamentos, asfixia e choques elétricos e, segundo a ONU, quase um terço dos entrevistados apresentou relatos “credíveis e confiáveis” sobre abusos e maus-tratos.

Ainda assim, o relatório conjunto da missão da ONU no Afeganistão e do Gabinete dos Direitos Humanos da ONU indica ligeira melhorias, referindo que 32% dos detidos relataram tortura ou maus tratos, abaixo de 39% durante o período anterior, de janeiro de 2015 a dezembro de 2016.

“Saudamos as medidas tomadas pelo Governo para prevenir e investigar casos de tortura e maus-tratos nos últimos dois anos”, afirmou o enviado da ONU, Tadamichi Yamamoto, acrescentando que “ainda há um longo caminho a percorrer para erradicar essa prática terrível entre os detidos relacionados a conflitos”.

“O respeito pelo estado de direito e pelos direitos humanos é a melhor maneira de criar as condições para uma paz sustentável”, salientou.

O Governo afegão, apoiado pelos Estados Unidos, mantém milhares de detidos, muitos deles capturados como parte da guerra em curso com os talibãs.

O relatório da ONU constatou que a tortura era mais comum em instalações da polícia na província de Candar, sul do Afeganistão.

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