ONG anuncia morte de enfermeiro acusado por Israel de disparar contra soldados

24 Ago 2018 / 14:34 H.

A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciou hoje a morte de um dos seus enfermeiros em Gaza, acusado por Israel de ter disparado contra soldados israelitas, e disse estar a averiguar as circunstâncias do caso.

Um organismo do Ministério da Defesa de Israel encarregado das operações civis israelitas nos territórios palestinianos, o COGAT, anunciou na segunda-feira que um palestiniano, Hani al-Majdalawi, tentou nesse dia passar a barreira entre a Faixa de Gaza e Israel, tendo disparado contra soldados israelitas e lançado um engenho explosivo na sua direcção.

Três dias depois, num relatório intitulado “Terrorismo Sem Fronteiras”, o mesmo organismo indicou que al-Majdalawi trabalhava como enfermeiro para os MSF, mas não fez qualquer menção sobre o que lhe aconteceu após o incidente.

O exército israelita também anunciou o incidente na segunda-feira, afirmando que nenhum soldado israelita ficou ferido, não mencionando a ligação entre o palestiniano e a organização humanitária e acrescentando que os militares ripostaram, sem contudo fazer referência ao que aconteceu ao palestiniano.

Os Médicos Sem Fronteiras anunciaram hoje ter “confirmado que um dos seus trabalhadores, Hani Mohammed al-Majdalawi, foi morto em Gaza na segunda-feira”.

“A MSF está a tentar verificar e compreender as circunstâncias destes factos tão graves”, afirma a organização num comunicado, sem mais pormenores.

O COGAT disse por seu turno ter pedido à MSF “esclarecimentos” sobre “como um homem habilitado a salvar vidas pode usar o seu salário para comprar uma arma destinada a tirar a vida”.

A tensão reacendeu-se na Faixa de Gaza a partir de 30 de Março, quando se iniciou o movimento de contestação designado “marcha de retorno”.

Pelo menos 172 palestinianos foram mortos desde o início da “marcha de retorno”, pelo direito dos refugiados a regressarem às terras de onde foram expulsos ou fugiram após a criação do Estado de Israel, em 1948.

Um soldado israelita foi morto no mesmo período.