Jovens questionam credibilidade da Microsoft na defesa do ambiente

21 Set 2019 / 22:37 H.

A ativista sino-americana Kathleen Ma questionou hoje, na Cimeira da Ação Climática para a Juventude, em Nova Iorque, a credibilidade da empresa norte-americana Microsoft, perguntando se está mais preocupada com o lucro do que com os jovens.

“Se a Microsoft está tão comprometida com a sustentabilidade, porque é que esta semana fez acordos com a Chevron e a Schlumberger [duas empresas do ramo energético] para acelerar a extração de petróleo”, perguntou a ativista de 24 anos.

Kathleen Ma, residente em Nova Iorque, que falou em representação da organização não-governamental SustainUS e é uma das 500 jovens ativistas convidadas desta cimeira, deixou ainda duas perguntas, entre aplausos da audiência: “Os contratos com a indústria de energias fósseis são mais importantes do que a juventude? Para vocês os lucros são mais importantes do que nós?”.

As perguntas, feitas num painel de discussão naquela cimeira organizada pelas Nações Unidas (ONU), foram dirigidas a Lucas Joppa, diretor da Microsoft para a área do ambiente, presente na sala.

O responsável do gigante informático deu uma resposta lacónica, dizendo que “é uma questão que todo o setor tecnológico atualmente coloca. A Microsoft também”.

Hoje teve início em Nova Iorque a Cimeira da Ação Climática para a Juventude, acolhida pela ONU, com a abertura oficial a ficar marcada por discursos do secretário-geral, António Guterres, e quatro ativistas, entre os quais a sueca Greta Thunberg, que tem sido um dos principais rostos dos jovens que protestam contra a inação dos políticos nas questões ambientais.

A cimeira abriu um dia depois de uma marcha global, realizada na sexta-feira com a adesão de centenas de milhares de pessoas em todo o mundo e que deu o tiro de partida para uma semana de mobilizações e greves, designada Greve Climática Global. Tudo isto coincide ainda com a Cimeira da Ação Climática, convocada por António Guterres.

Na abertura, Greta Thunberg afirmou que os jovens estão unidos e que ninguém os irá parar na luta global contra a crise climática e em defesa do planeta.

“Mostrámos que estamos unidos e que nós, os jovens, somos imparáveis”, disse.

António Guterres admitiu que existe um “conflito sério entre pessoas e natureza” e que o mundo precisa de um novo modelo de desenvolvimento, ligado às alterações climáticas, que garanta justiça e igualdade entre as pessoas, mas também uma relação boa entre a população e o planeta.

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