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Guaidó acusa Maduro de querer desmantelar o Parlamento

Foto EPA
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O líder da oposição e autoproclamado Presidente interino da Venezuela acusa o governo de Nicolás Maduro de querer desmantelar a Assembleia Nacional, depois de ter sido detido quarta-feira à noite o seu vice-presidente na Assembleia Nacional, Edgar Zambrano.

“Podemos falar de um golpe de Estado na Venezuela, sim, é o desmantelamento do Parlamento” legitimamente eleito e reconhecido internacionalmente por mais de 50 país, disse.

Ao fim do dia de quarta-feira, Zambrano foi detido por funcionários do Serviço Bolivariano de Inteligência da Venezuela (Sebin, serviços secretos) quando se encontrava dentro do seu carro, à porta da sede do partido Ação Democrática, em Caracas. Como se recusou a sair do carro, a polícia rebocou o carro para a prisão do Sebin, denominada Helicoide.

Edgar Zambrano faz parte de uma lista de dez deputados venezuelanos acusados pela justiça de terem apoiado uma revolta no dia 30 de abril.

Posteriormente, a Assembleia Constituinte, que é constituída unicamente por elementos do próprio regime, e não é reconhecida internacionalmente, levantou a imunidade dos deputados em causa.

Guaidó considerou quarta-feira que esta detenção do regime não é mais que uma tentativa “de fazer crer que tem um controlo que na verdade já não tem”.

“Trata-se de terrorismo de Estado contra os deputados. O sequestro do vice-presidente da Assembleia Nacional, única instituição venezuelana reconhecida internacionalmente, é um golpe de Estado continuado”, afirmou.

O líder da oposição referiu-se a um país determinado a combater uma ditadura, “um regime que já não tem confiança nos seus e por isso tem de pedir ajuda aos cubanos, um país que colapsou”.

Sobre Maduro, Guaidó disse que aquilo que mais o preocupa é a esperança: “A uma ditadura só há uma coisa que preocupe, que as pessoas tenham esperança, que as pessoas vão para a rua a pedir mudança, isso é que os preocupa muito”.

“Não governam, não confiam em si próprios, não têm apoio internacional, não têm dinheiro, que já o roubaram, que querem mais? Hoje temos um ditador que se esconde num país que agoniza. Toda a comunidade internacional já viu que este é um país em colapso. As pessoas querem mudança”, disse perante dezenas de jornalistas na sede do partido Vontade Popular numa torre de Caracas.

Referindo-se a um processo que já não tem volta atrás, o Presidente interino falou em esperança, em mudança e num futuro democrático para o país.

Neste encontro com a imprensa, Juan Guaidó anunciou ter pedido Organização dos Estados Americanos (OEA) que convoque uma sessão para discutirem o que classifica como um “ataque sistemático ao parlamento legitimamente eleito da Venezuela, a Assembleia Nacional”.

O autoproclamado Presidente interino convocou para sábado mais um momento de protestos contra o regime de Nicolás Maduro: “todos para a rua, em todo o país”

Juan Guaidó, que se apresentou como Presidente interino em janeiro e teve na altura o apoio de mais de 50 países, desencadeou na madrugada de dia 30 de abril um ato de força contra o regime de Nicolás Maduro em que envolveu militares e para o qual apelou à adesão popular.