EUA entregam provas na ONU a “demonstrar” que Irão lançou ataques no Golfo

25 Jun 2019 / 08:11 H.

Os Estados Unidos asseguraram hoje que partilharam provas com o Conselho de Segurança das Nações Unidas que demonstram o envolvimento do Irão nos ataques a navios no Golfo Pérsico e no abate do drone norte-americano por parte de Teerão.

Segundo o representante dos Estados Unidos no Conselho de Segurança, Jonathan Cohen, os atos de sabotagem contra várias embarcações no porto de Fujairah, em 12 de maio, e os ataques contra dois petroleiros no Estreito de Ormuz, em 13 de junho, só poderiam ser efetuados por um Estado com capacidade e tecnologia suficientes.

Para Cohen, esse país é o Irão e “não existe outra explicação credível”.

“Com base nessas evidências, é claro para nós - e deve ser para o mundo - que o Irão foi responsável pelos ataques de 12 de maio e 13 de junho aos navios no Golfo Pérsico. Estes ataques representam uma séria ameaça à liberdade de navegação comercial”, disse Cohen aos jornalistas, numa declaração sem direito a perguntas.

Sobre o abate do drone norte-americano pelo Irão, na passada semana, Cohen afirmou que também apresentou provas ao Conselho de Segurança de que o aparelho, que “estava a realizar o trabalho de vigilância devido às recentes ameaças contra navios”, não sobrevoava o território iraniano como Teerão tem vindo a defender.

“O Irão tem de aceitar que esses ataques não são aceitáveis. É hora de o mundo se juntar a nós e dizer o mesmo”, declarou Cohen.

O Conselho de Segurança nas Nações Unidas pediu ao Irão e aos Estados Unidos que se contenham e reduzam a escalada de tensão.

“Os membros do Conselho de Segurança pedem que as partes envolvidas e todos os países da região (do Golfo Pérsico) exerçam a máxima contenção e tomem medidas e ações para reduzir a tensão”, refere um comunicado lido após uma reunião à porta fechada deste organismo, sediado em Nova Iorque, realizada a pedido dos Estados Unidos.

Os 15 membros do mais alto órgão da ONU condenaram os ataques contra petroleiros que ocorreram no Estreito de Ormuz e asseguraram que “representam uma séria ameaça”.

O comunicado defende ainda que “as diferenças devem ser resolvidas pacificamente e por meio do diálogo”.

Por seu lado, a França, a Alemanha e o Reino Unido divulgaram uma declaração conjunta que foi lida no final do encontro pelo embaixador alemão na ONU, Christoph Heusgen, na qual revelaram “grande preocupação com o aumento das tensões no Golfo” e insistiram na necessidade de uma redução da tensão e no diálogo.

“É do interesse de todos mostrar moderação”, insistiu a ‘troika’ europeia no Conselho de Segurança.

A reunião do Conselho de Segurança, para a qual o Irão não foi convidado apesar de solicitar a sua presença, foi convocada na sexta-feira a pedido dos Estados Unidos.