Delegação da ONU sem conseguir falar com politólogo luso-descendente detido na Venezuela

15 Mar 2019 / 23:45 H.

Uma delegação dos Direitos Humanos das Nações Unidas esteve ma quinta-feira na cadeia onde se encontra Vasco da Costa, mas não conseguiu falar com o lusodescendente, disse hoje a irmã do politólogo.

“A delegação da ONU esteve em Ramo Verde [prisão], mas não deixaram que entrevistasse o Vasco. Foi como se os levassem [a delegação] a passear, para que vissem a cadeia”, disse Ana Maria da Costa à agência Lusa.

Segundo a lusodescendente “quando Vasco e outros gritavam, entre eles o jornalista Jesus Medina, que eram presos políticos, que tinham sido torturados, os generais Yánez Figueiredo e Edgar Rosa impediram os visitantes de se aproximarem”.

Já o diretor da ONG Foro Penal Venezuelano (FPV), Alfredo Romero, adiantou que o Governo venezuelano impediu a delegação da ONU de ver os cidadãos que estão presos na cadeia dos Serviços Bolivarianos de Inteligência (SEBIN, serviços secretos), em Caracas.

“Se vocês vão à cadeia onde estão os presos políticos e não falam com as vítimas, é uma visita turística. Quando entraram no SEBIN, nem lhes permitiram ver os presos”, denunciou, durante uma conferência de imprensa, em Caracas.

Segundo Alfredo Romero, também não há garantias de que a própria Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, fale com os presos políticos, se visitar Caracas.

Na segunda-feira, uma delegação de cinco pessoas do Escritório da Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, iniciou uma visita de dez dias à Venezuela, em resposta a um convite do Governo venezuelano e antecedendo a deslocação daquela responsável das Nações Unidas a Caracas.

Em abril de 2018, o politólogo lusodescendente Vasco da Costa, de 58 anos, foi detido em sua casa, por agentes do SEBIN, que levaram os alimentos que tinha comprado, alguns objetos e computadores.

De acordo com a irmã, Ana Maria da Costa, 30 agentes dos serviços secretos, “vestidos de comandos e com espingardas”, arrombaram a porta, espancaram o irmão e destruíram a casa.

Filho de um antigo cônsul de Portugal em Caracas, o politólogo Vasco da Costa tinha estado detido entre julho de 2014 e outubro de 2017.

Na altura, foi acusado de estar ligado a uma farmacêutica que estaria, alegadamente, envolvida em planos para fabricar engenhos explosivos artesanais, durante os protestos ocorridos no primeiro semestre de 2014 contra o Governo do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

Segundo a irmã, Vasco da Costa foi acusado dos crimes de terrorismo, associação para cometer delito com fins de terrorismo, fabrico ilegal de explosivos para fins terroristas e ocultação de munições.

Vasco da Costa faz parte do Movimento Nacionalista Venezuelano.

Durante o tempo em que Vasco da Costa esteve preso, em 2014, a irmã insistiu sempre tratar-se de “uma injustiça”, referindo que, “noutros casos, houve ações violentas (...), mas que [no caso do seu irmão] não havia absolutamente nada”, nenhum motivo nem suspeitas de “terrorismo, nem bombas, nem podia haver associação para cometer delito”.

Em dezembro de 2015, o lusodescendente foi ferido com balas de borracha num motim ocorrido no Centro de Reclusão para Processados Judiciais 26 de Julho, onde então se encontrava preso. Pelo menos três pessoas morreram e 43 ficaram feridas no motim.

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