Colômbia contabiliza mais de 500 deserções de militares e polícias venezuelanos
Mais de 500 membros das Forças Armadas venezuelanas desertaram e atravessaram a fronteira colombiana, depois do fracasso da operação para fazer entrar ajuda humanitária na Venezuela no sábado liderada pela oposição ao Presidente, Nicolás Maduro, adiantou a AFP.
De acordo com dados dos serviços de migração da Colômbia, a maioria dos 567 militares e polícias que contactaram estes serviços “em busca de assistência” entraram pelas regiões colombianas do norte de Santander e Arauca, que fazem fronteira com a Venezuela, especificou a entidade em comunicado.
Os serviços de migração, que não especificaram as patentes dos desertores, avaliam caso a caso e atribuem a cada pessoa um salvo-conduto temporário.
“Se não pretenderem pôr em causa a segurança” do país, dá-se início ao processo para lhes conceder asilo, de acordo com o diretor dos serviços de migração colombianos, Christian Krüger.
O líder da oposição a Maduro e autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, já reconhecido presidente legítimo por mais de 50 países, incluindo a Colômbia, prometeu uma amnistia a militares e polícias que rompam com o regime de Maduro, que tem nas forças armadas um dos seus pilares.
As primeiras deserções aconteceram no sábado, ainda antes de Guaidó anunciar a partir de Cúcuta, na fronteira colombiana com a Venezuela, a partida de camiões carregados de ajuda humanitária, nomeadamente alimentos e medicamentos, doados pelos Estados Unidos da América e que aguardam nos entrepostos desde 07 de fevereiro.
Os camiões tiveram de regressar no final de sábado, devido ao bloqueio imposto pela Venezuela, que acabou por degenerar em violência, provocando quatro mortos e centenas de feridos.
Na Venezuela existem cerca de 365 mil militares e polícias, assim como 1,6 milhões de milicianos civis.
A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.
Guaidó, 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.
Nicolás Maduro, 56 anos, no poder desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do presidente do parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos da América.
A maioria dos países da União Europeia, entre os quais Portugal, reconheceram Guaidó como presidente interino encarregado de organizar eleições livres e transparentes.
Esta crise política soma-se a uma grave crise económica e social que levou 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados da ONU.
Na Venezuela, antiga colónia espanhola, residem cerca de 300.000 portugueses ou lusodescendentes.