Argentino Rafael Gossi novo director da Agência Internacional de Energia Atómica

Viena /
02 Dez 2019 / 12:24 H.

O argentino Rafael Grossi é o novo director da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), um organismo criado em 1957 no contexto das Nações Unidas para regular o uso do poder nuclear.

“O organismo deve procurar acelerar e expandir a contribuição da energia atómica no sentido da paz, a saúde e a prosperidade do mundo”, referem os objectivos do organismo cujo lema é: “Átomos para a paz”.

Gossi, 58 anos, diplomata argentino, exerceu funções de representante de Buenos Aires na AIEA entre 2010 e 2013, tendo estado envolvido, sobretudo, nos contactos com o governo de Teerão.

Como diplomata foi embaixador da Argentina na Áustria depois de 2013.

Os cerca de 2.500 funcionários de uma centena de países concentram o trabalho em três pontos fulcrais: prevenção da proliferação de armas nucleares; melhoria da segurança das instalações atómicas existentes e mobilização das capacidades científicas e da tecnologia nuclear para benefício dos estados membros.

A AIEA encarrega-se de vigiar o cumprimento do Tratado de Não Proliferação de Armas Nuclear (TNP), sigla em inglês) mediante acordos de salvaguarda dos países subscritores.

Os tratados são verificados pelas inspecções levadas a cabo pelos especialistas da agência nas instalações dos respectivos países membros.

Nos últimos anos, a AIEA desempenhou um papel considerado crucial no controlo do programa nuclear em países como a Síria, a Líbia e, especialmente, na Coreia do Norte e no Irão.

O processo iraniano ocupou uma boa parte dos esforços do organismo que há 16 anos descobriu que o país estava a desenvolver um programa nuclear secreto que tinha como finalidade a produção de armamento.

Em 2015, a AIEA ocupou-se da supervisão técnica do acordo entre Teerão e as grandes potências para assegurar que a República Islâmica não pode desenvolver, a curto prazo, armas nucleares.

Em virtude da retirada dos Estados Unidos do acordo, a tarefa da agência tem sido dificultada porque Washington aplicou uma série de sanções contra Teerão.

A actividade da Agência Especial de Energia Atómica foi também essencial durante a crise da central nuclear japonesa de Fukushima, Japão, em 2011.

A AIEA tem igualmente um programa de cooperação técnica de ajuda a 110 países em vias de desenvolvimento na aplicação de tecnologias nucleares para uso civil, em distintos sectores como a medicina, a agricultura, indústria e protecção do meio ambiente.

Grossi substitui no cargo o japonês Yukiya Amano que morreu no passado mês de Julho, quando cumpria metade do terceiro mandato.

Em 2005, a agência e o director na altura, Mohamed El Baradei, venceram o Prémio Nobel da Paz pelo reconhecimento dos “esforços para prevenir que a energia atómica fosse utilizada para fins militares e assegurar que o uso da energia com fins pacíficos se efectua de forma segura”.

Actualmente, 171 países integram a AIEA sendo que 35 se vão substituindo todos os anos da Junta de Governadores, o órgão executivo do organismo.

Os recursos económicos da AIEA são conseguidos através de um orçamento interno e das contribuições voluntárias dos países membros.

Em 2019, o orçamento da agência foi de 375 milhões de euros.

Além da sede em Viena, Áustria, a AIEA tem delegações no Canadá, Japão, Estados Unidos e Suíça, assim como laboratórios de tecnologia nuclear nos arredores da capital austríaca e do Mónaco.