Um mundo de histórias e conteúdos na TEDxFunchal

Evento está a decorrer no Museu Casa da Luz e pode ser seguido na Internet

23 Fev 2019 / 13:13 H.

Uma oportunidade para aprender, divulgar, sensibilizar, trocar contactos e para conhecer. Tudo isto se encontra na TEDxFunchal, uma iniciativa que está a decorrer hoje ao longo do dia no Museu da Electricidade da Madeira e que pode acompanhar através da Internet. O evento, de que o DIÁRIO é parceiro, vai na segunda edição e reúne novamente um painel diversificado de oradores. Aqui encontram-se ainda histórias como a de Gonçalo Félix, que vai deixar a Madeira na terça-feira para fazer voluntariado no campo de Moria, na ilha de Lesbos, na Grécia.

Voluntário da Cruz Vermelha Portuguesa e Coluna de Socorro Henry Dunnant, Gonçalo Félix revelou que perdeu uma filha num acidente, numa altura em que já era socorrista e formador na área. Nessa altura acabou por criar a Madeira Emergência, uma associação sem fins lucrativos para dar formação na área do suporte básico de vida. “Naquele dia engasgou-se. Eu tive que actuar e tornou-se em tudo aquilo que eu faço hoje em dia”.

Parte na terça-feira para a Grécia para trabalhar como voluntário com a Kitrinos Healthcare no campo de refugiados para uma missão humanitária de 15 dias. “Era um objectivo e um desejo já muito antigo”, confessou o gerente. “Eu sou uma pessoa muito solidária e humanitária e todas estas questões do mundo e injustiças mexem muito comigo. Sempre acompanhei muito esta situação dos refugiados, via as notícias, os vídeos, lia e acompanhava a chegada dos refugiados à ilha de Lesbos através dos botes. Mexia e eu não conseguia fazer nada”. Decidiu que tinha de estar presente, fez contactos com associações que trabalham no socorro e parte médica e está de malas feitas.

Moria, contou, tem 9 mil pessoas dentro de um campo, é o pior da Europa com pessoas em situações “degradantes”. Na verdade não sabe bem o que vai encontrar e como vai lidar. “Há muitas brigas lá dentro devido às etnias, devido às filas que existem para tudo, para comer, para tomar banho... uma casa de banho para cada 80 pessoas, filas de três e quatro horas”. Gonçalo vai estar num posto médico na área da triagem e ajuda de socorro, em feridas e encaminhamento par ao hospital.

De saúde veio falar também Cláudia Freitas, sobretudo de consciencialização. A médica ginecologista aproveitou o convite para despertar consciências. ‘Se eu soubesse’ é uma expressão que ouve muito por parte de mulheres que se confrontam com dificuldades em engravidar. A gravidez é adiada e por razões várias e muitas chegam à consulta a pensar que a ciência dá resposta a tudo, mas não dá, alerta. “Se tivermos o conhecimento, também temos o poder de decisão para decidirmos isso na altura certa”, acredita. “Acho que é importante passarmos esta informação a um maior número de pessoas, porque apesar de vivermos numa sociedade cheia de informação, também vivemos numa sociedade com alguma desinformação”. Como médica, mais do que tratar, no ‘Então Era Isso!’ quis alertar para a prevenção da infertilidade, doença afecta 15% da população a nível mundial e está a aumentar pelo protelar da gravidez e porque começa mais cedo devido ao estilo de vida. Na Madeira anda à volta dos mesmos números internacionais, revelou. Por outro lado, disse ainda, as pessoas procuram ajuda cada vez mais tarde, daí o alerta, pois “o factor biológico é o mais difícil de alterar”.

Sergi Bermúdez também procura respostas, mas na parte das novas tecnologias. O orador vai intervir à tarde e vai falar sobre como colocou o seu trabalho e novas tecnologias interactivas ao serviço dos doentes. Na sua equipa usam sobretudo a realidade virtual e as tecnologias dos jogos para tentar melhorar o processo de reabilitação de pacientes que sofreram AVC ou traumatismos, torná-lo mais interactivo e mais automatizado através destas ferramentas e criar ferramentas para apoiar os profissionais. “Temos menos profissionais por número de pacientes e precisamos de novos métodos para abordar o problema”. Segundo o professor do Madeira Interactive Technologies Institute, com formação em engenharia e neurociências, há já resultados práticos do uso da tecnologia. O processo inclui todo o ciclo, desde a idealização do sistema até à aplicação, através de uma parceria com o Serviço Regional de Saúde (SESARAM) e com clínicas no continente. “Fazemos estudos com paciente e quantificamos qual é o impacto da tecnologia e depois validamos”. Uns sistemas têm mais vantagens na parte cognitiva, outros na motora. Quantificam para saber como escolher a tecnologia para cada tipo de paciente.

Sergi Bermúdez acredita que dentro de uma década estas ferramentas estarão ao dispor dos pacientes em geral, sobretudo através das clínicas, onde é mais fácil de implementar. A altura, diz, é de plantar a semente para que as pessoas tenham consciência “de que há outras maneiras de fazer as coisas que se não melhores, alternativas”. O investigador e a sua equipa começaram já a trabalhar num espaço de reabilitação cognitiva com recurso a sistemas computorizados. “A Universidade e o M-ITI está a fornecer os sistemas e o SESARAM está a começar a usar neste momento na prática clínica. Agora, é uma excepção. Não existem unidades, hospitais públicos que façam isto.”

O programa começou esta manhã com a intervenção da professora, mentora e oradora em alimentação integrativa e consciente Catarina Catarino, o voluntário Gonçalo Félix e o especialista em segurança de informação Nuno Perry. O segundo painel juntou o investigador recursos humanos e professor Mário Fortes, a médica Cláudia Freitas e a empresária Chitra Stern até às 13h. Depois do almoço pode acompanhar a especialista em nutrição Alison Jesus, o biólogo Thomas Dellinger, a professora e voluntária Inês Rodriges e o professor e investigador Sergi Bermidez. A TEDxFunchal termina com o guitarrista André Santos, com a facilitadora educacional Margarida Meira, com o activista Isaac dos Santos e a contadora de histórias Sofia Maúl.

Ana Neto é uma das espectadoras desta segunda edição, já tinha participado na primeira. Segue regularmente as conferências da TED na Internet e não quis perder a oportunidade de participar na iniciativa no Funchal. “Acho que ter uma versão local ainda é mais interessante porque são coisas que nos dizem mais a nós e que são muito inspiradoras, são histórias de vida e eu gosto muito de ouvir estes oradores”. O facto de serem intervenções mais curtas e de permitir espaços alargados informais para troca de impressões e contactos torna este formato mais interessante para a engenheira informática.

Outra das características destas conversas, este ano subordinadas no Funchal ao tema geral ‘Então era isso!’, é não ter um tema para cada intervenção, o que deixa espaço para alguma surpresa. Como crítica, Ana Neto confessa que gostaria de ver o programa mais divulgado antecipadamente.

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