Passaram 88 anos da Revolta da Madeira
A Revolta da Madeira de 4 de Abril de 1931 ficou registada na História como uma das primeiras tentativas para a defesa da democracia e do bem-estar da população, contra os desígnios do Antigo Regime. Trata-se, pois, de um acontecimento de extrema importância para a identidade colectiva madeirense.
A 4 de Abril de 1931, um grupo de militares revoltou-se contra o Governo Central, chefiado pelo general Óscar Carmona. Na origem deste incidente estava uma um série de questões ligadas às condições de vida da população madeirense.
O contexto sócio-ecónomico da época traduzia-se por um clima de insatisfação da população, em relação às medidas tomadas pelo Governo Central. Em termos económicos, os dois bancos existentes na Região haviam encerrado as portas, conduzindo, também, centenas de pequenos investidores e empresas à falência.
Outro dos antecedentes que estiveram na origem desta revolta, foi o descontentamento popular, face a um decreto de lei que proibia a importação de farinhas do estrangeiro e concessionava a um monopólio local do comércio dos cereais na Região. Este decreto foi, alias, motivo de várias manifestações, com alguma violência, de populares contra padarias, moagens e outros beneficiários deste decreto.
Um outro antecedente desta revolta, prendia-se com o descontentamento por parte dos estivadores que reivindicavam melhores condições de trabalho e ainda que se fizessem as obras para a construção de um porto marítimo no Funchal.
Liberdade da população
Apoiados por um contexto sócio-ecónomico conturbado, o que, de certa forma, atrairia a simpatia e o apoio da população em geral, formou-se um grupo de nove oficiais, chefiados pelo general Sousa Dias, manifestando-se contra o regime e os seus efeitos na Madeira.
Nesse dia, ao fim da tarde, foram afixados, em diferentes pontos da cidade do Funchal, vários comunicados informativos, em que se fazia referência à constituição de uma Junta Governativa na Região.
Essa Junta, cujo o ideal era, fundamentalmente, a liberdade da população, foi denominada por Óscar Carmona, presidente da República Portuguesa, na época, como uma traição à pátria. Daí que Sousa Dias, revoltado com essa situação, enviará um telegrama ao general Carmona, no qual informava que a Região se encontrava sob alçada da Junta Governativa e que só obedeceria ao Governo da República, quando as ‘liberdades públicas’ estivessem restabelecidas.