Manifestações de pesar pela morte de D. Maurílio multiplicam-se

Marcelo destaca “voz ponderada e experiente”

20 Mar 2019 / 08:45 H.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, manifestou pesar pela morte do arcebispo emérito de Évora Maurílio de Gouveia, ontem falecido, destacando a sua “voz ponderada e experiente” que se fez sentir na sociedade portuguesa em momentos decisivos.

Numa nota publicada no sítio na internet da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa expressa “sinceras condolências à sua família, à Igreja portuguesa e, muito em particular, aos que tiveram o privilégio de o conhecer”.

“Através da sua voz ponderada e experiente, da sua inteligência discreta mas penetrante, a presença de D. Maurílio fez-se sentir na sociedade portuguesa em alguns momentos decisivos da sua História recente, trazendo-lhe a marca de uma religiosidade profunda e amadurecida, de um conhecimento solidário e próximo de todos quantos buscam na mensagem evangélica uma fonte de apoio moral e espiritual”, refere o chefe de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa adianta que Maurílio de Gouveia, nascido no Funchal, ilha da Madeira, “manteve sempre, ao longo da sua trajetória de vida e do seu percurso espiritual, uma ligação profunda a essas raízes, à fé do povo madeirense que o acompanhou e por certo o iluminou em várias circunstâncias da sua existência”.

“Nesta hora de dor para a Igreja portuguesa, a esperança e a fé são lenitivos que devem consolar os portugueses que sentem a ausência da personalidade de D. Maurílio de Gouveia e do seu modelar exemplo de vida”, acrescenta.

O arcebispo emérito de Évora Maurílio de Gouveia morreu ontem na Madeira, aos 86 anos.

Conferência Episcopal enaltece arcebispo emérito de Èvora

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) manifestou hoje pesar pela morte de Maurílio de Gouveia, arcebispo emérito de Évora, arquidiocese ao serviço da qual dedicou a maior parte da sua vida.

A CEP evoca Maurílio de Gouveia através das palavras do atual Arcebispo de Évora, Francisco Senra Coelho, que lembra o falecido como “um homem de oração, de um grande amor à Eucaristia” e que todos guardam “no coração com profunda gratidão” e “com uma memória de grande respeito”.

Por seu lado, o atual prelado alentejano considera que Maurílio de Gouveia “tinha um sentido muito grande de proximidade e constituiu, por isso, uma mais-valia da esperança do Alentejo”, afirmou o arcebispo de Évora, Francisco Senra Coelho, em declarações à agência Lusa.

O prelado alentejano referiu que o arcebispo emérito de Évora “foi alguém com que se pode contar”, assinalando que “não era marcado pelas ideologias, nem era um homem que levasse esquemas aprisionados”.

“Ele era um homem livre e entendia todos os quadrantes e ideologias e foram capazes de dialogar com ele”, notou, lembrando a visita que Maurílio de Gouveia realizou pelo Alentejo e Ribatejo com a imagem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.

Senra Coelho destacou “os encontros com os doentes, com os sós e os idosos, a ida às instituições, os encontros com as crianças nas escolas e com os grupos de jovens”.

“Ele percorreu esta diocese, paróquia por paróquia, lugar por lugar, durante nove anos, e fez uma visita de proximidade, fazendo sentir que a Igreja estava empenhada com este povo e celebrava as suas festas e as suas alegrias e, ao mesmo tempo, comungava o seu sofrimento e as suas marcas de angústia e, muitas vezes, de revolta”, disse.

“Ele foi esse homem que fez uma osmose e contagiou com a vontade de viver e o desejo muito grande de abraçar a todos e de fazer um mundo melhor”, acrescentou.

Ex-autarca comunista de Évora recorda relações de “mútuo entendimento”

O ex-presidente da Câmara de Évora, o comunista Abílio Fernandes, durante 25 anos, lembrou que o município manteve “sempre relações de mútuo entendimento” com a arquidiocese sob liderança de Maurílio de Gouveia, ontem falecido.

“Com a pessoa em si, tivemos sempre relações normalíssimas institucionais e recebeu-nos sempre que quisemos falar com ele. Em termos gerais, pode-se considerar que foram sempre relações de mútuo entendimento sobre as questões que estavam ao alcance da câmara”, recordou à agência Lusa o antigo autarca comunista.

Os mandatos de Abílio Fernandes, que foi presidente da Câmara de Évora entre 1976 e 2001, coincidiram, em parte, com o período em que Maurílio de Gouveia foi arcebispo de Évora, durante quase 27 anos, entre setembro de 1981 e fevereiro de 2008.

“Foi um período em que eu estava na câmara” e em que a autarquia “procurou sempre corresponder a todas as preocupações do arcebispo em relação ao concelho de Évora no que respeita à cedência de terrenos para igrejas e centros sociais”, assinalou o antigo autarca.

Segundo Abílio Fernandes, nessa altura, por solicitação da Arquidiocese de Évora, o município “cedeu terrenos” e foram construídas “igrejas, como a da Senhora da Saúde”, e “centros de apoio social ou o Lar de Idosos do Bacelo”.

“A câmara correspondeu sempre a essas solicitações e ficámos muito satisfeitos”, por um lado, “porque achámos que era uma parte importante da intervenção da Igreja do ponto de vista social, ajudando as pessoas nas suas dificuldades”, afirmou.

E, por outro lado, “pelo respeito pelo culto religioso, que sempre tivemos para com a Igreja, tal como acederíamos para qualquer outra religião”, acrescentou Abílio Fernandes.

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