Deixar de pensar a diáspora como fonte de remessas

José Luís Carneiro, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, salientou a mudança de mentalidade

25 Jul 2019 / 11:03 H.

José Luís Carneiro, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, teve a palavra na sessão de abertura do II Encontro Intercalar de Investidores da Diáspora e destacou o enorme papel que as ligações afectivas dos emigrantes para a economia nacional

Ressalvou a importância do encontro, porque a diáspora portuguesa é uma constante porque se olharmos para a nossa economia, seja exportação ou importação, a maioria dos países com os quais Portugal tem relações comerciais, é onde há portugueses. Para o governante, inclusive os números do turismo, em que 25% dos nossos visitantes têm ligações e descendência portuguesa, mostram o caminho.

A força da diáspora, uma força de inserção na vida dos estados onde estão, é acompanhada por uma rede consular extensa, lembrou. Estes serviços consulares que se articulam com os serviços regionais - belo exemplo é o que acontece na Madeira - revela a necessidade de uma abordagem multinível nesta relação com a nossa diáspora.

José Luís Carneiro destacou a nova lei da nacionalidade que garante aos netos dos portugueses essa possibilidade, além das leis eleitorais que se abriram a novos eleitores, cerca de 150 mil com essa possibilidade. A participação eleitoral conduzira a esse caminho que foi pedido para o reforço dos representantes políticos da diáspora na Assembleia da República, destacou ainda, respondendo ao repto lançado num evento realizado ontem na mesma sala.

Durante décadas olhamos mais para as transferências de dinheiro consoante o número de pessoas saía do país, facto que praticamente era a única avaliação feita, lamentou. “É preciso olhar para outra dimensão, avaliando o impacto e o contributo, criando-se oportunidades para que o contributo dos emigrantes para a economia nacional seja maior - actualmente representa 0,8% do PIB nacional”.

Acredita, por isso, que a realização deste evento serve para aproximar as partes. O gabinete de investidor da diáspora já acompanhou mais de 500 milhões de euros de investimento e o I Encontro nos Açores, realizado no ano passado, terá resultado em 30 a 35 milhões de euros de novo investimento. Além disso, apontou a uma linha de crédito que tem 50 milhões disponíveis para Madeira para apoiar, mobilizar e incentivar os emigrantes a investir na Região.

Por fim, apontou que entre 2010 e 2018 foram mais de 30 mil milhões de remessas dos emigrantes, valor que seria superior à dos fundos de coesão da UE neste período, e nem se contam as vontades de investimento dos emigrantes na sua terra. No fundo, frisou, este é um nicho de mercado com muito por crescer.