CDS/Madeira admite estender coligação com PSD às autárquicas

20 Jan 2020 / 08:23 H.

O líder do CDS/Madeira e secretário da Economia no Governo Regional admite que o acordo de coligação celebrado com o PSD pode estender-se às próximas eleições autárquicas no arquipélago.

“Acho que é possível e já falamos sobre isso”, referiu Rui Barreto numa entrevista à agência Lusa a propósito dos primeiros 100 dias do executivo (assinalados na próxima quarta-feira), sublinhando que ainda “não há nada escrito e não há nada decidido” nesta matéria e que ainda é cedo.

Ainda assim, disse, “a solução encontrada para o governo pode também ser transponível para as eleições autárquicas”.

Rui Barreto ressalvou que o acordo celebrado entre o PSD e o CDS na Madeira na sequência das eleições de setembro passado -- em que os sociais-democratas perderam pela primeira vez a maioria absoluta - foi apenas para a governação.

Por isso, cada uma das forças partidárias deve primeiro ouvir “os dirigentes locais, os autarcas e perceber o que eles acham sobre a matéria” de estender este projeto às próximas eleições autárquicas, que se realizam em 2021.

Para o atual secretário regional da Economia, “as pessoas também não entenderiam que, estando dois partidos num governo, depois andassem desavindos a disputar eleições em concelhos, principalmente onde estão na oposição”.

Na região, há quatro municípios lideradas pelo PSD (Câmara de Lobos, Calheta, Ribeira Brava e Porto Santo) e um pelo CDS (Santana).

“Mas, onde estamos os dois partidos na oposição não faz sentido que não se entendam para uma solução autárquica, porque [as pessoas] não vão entender [que estejam a] governar a região e a digladiar-se nas eleições para os concelhos”, insistiu.

Na opinião de Rui Barreto, este projeto tem de ser delineado respeitando critérios claros e a expressão que os partidos tiveram nas últimas eleições autárquicas.

Falando sobre o Orçamento Regional para 2020, na ordem dos 1.700 milhões de euros e que hoje começa a ser debatido no parlamento do arquipélago, o dirigente realçou que o documento plasma uma “boa distribuição pelas várias áreas da governação, atendendo a critérios de coesão economia, social e territorial e isso é positivo”.

“Não é possível agradar e chegar a todos”, reconheceu, mencionando que as pessoas “nunca estão satisfeitas e querem sempre mais”, mas é impossível “fazer um bolo maior do que a forma”.

O orçamento, referiu, “aproveita o bom desempenho económico e a arrecadação das recitas para desenvolver um conjunto de políticas sociais, nomeadamente discriminação fiscal”, estabelecendo o Imposto sobre o Rendimento Coletivo (IRC)em 12%, “a taxa mais baixa do país, para ajudar as empresas”.

O líder do CDS/Madeira destacou ainda o reforço de 18 milhões nas verbas para a saúde, além do acréscimo de cinco milhões de euros para investir no programa de recuperação de cirurgias, “uma exigência” que o partido tem feito, tal como “um alargamento da rede de cuidados continuados, em que a Madeira foi pioneira e precisa de chegar a mais pessoas”.

Uma visão moderna de apoio às rendas acessíveis e a não construção de bairros para ‘guetizar’ pessoas, ou critérios objetivos de distribuição da riqueza são outras das medidas defendidas pelo CDS previstas no orçamento.

O primeiro Governo Regional de coligação na Madeira tomou posse em 15 de outubro de 2019.