Bispo eleito do Funchal confessa “temor”

D. Nuno Brás garante que vem para a Madeira “sem ideias pré-concebidas”

12 Jan 2019 / 12:59 H.

“Conhecer a realidade” da diocese e “incrementar a vida cristã na Madeira” são propósitos de Bispo eleito do Funchal que, em entrevista dada hoje ao jornal ‘Voz da Verdade’, garante conhecer “boa parte do clero” madeirense, factor que, segundo alguns entendidos, foi determinante na escolha papal. Aliás, D. Nuno Brás admite mesmo a mais-valia. “Conheço-os praticamente todos desde 1980 – há somente dois ou três anos com os quais eu não convivi tanto, quando estive em Roma –, o que significa que conheço bastante bem mais de metade do clero do Funchal, como eles me conhecem bastante bem a mim. Claro que é uma mais-valia no sentido de que conto com eles, obviamente, para, em primeiro lugar, me ajudarem a conhecer as próprias comunidades; depois, para uma relação muito franca e aberta, com muita caridade, de um lado e do outro”, refere.

Para além do clero que domina, sabe que há um Povo “com fé, com esperança, com caridade, com comunidades vivas, bonitas, com gente empenhada e também com padres”. Mesmo assim confessa que acolheu a nomeação “com um misto de temor, porque obviamente conheço as minhas limitações e, portanto, a tarefa é sempre demasiado grande para as minhas capacidades, e confiança, sabendo que Nosso Senhor não me abandona nunca e que isto é d’Ele”.

D. Nuno Brás feito Bispo em 2011, sendo Auxiliar de Lisboa desde então, chega à Madeira com sete anos de tarefas pastorais, mas “sem ideias pré-concebidas, procurando conhecer a realidade da diocese e depois procurando também que a vida cristã ali seja incrementada”.

Uma missão que para já não é muito ambiciosa. “Que continue como ela está e, mesmo, mais viva. Há uma realidade muito importante – que certamente está a ser cuidada –, que é a quantidade de estrangeiros, de visitantes, de turistas, que vão à ilha da Madeira. Há também muitos missionários que são originários da Madeira, de uma forma muito particular os padres dehonianos e também os franciscanos. A própria Madeira tem um dinamismo missionário muito grande, mas o facto de haver muita gente sem fé, muita gente que nunca ouviu falar de Jesus Cristo e que vem passar, nem que seja uma semana, à nossa terra, dá-nos sempre a oportunidade de sermos testemunhas de Jesus Cristo e de anunciarmos o Evangelho, com toda a ousadia”, observa.

Revela também atenção aos emigrantes que regressam concretamente da Venezuela, alguns com poucas capacidades de sobrevivência, acreditando “que a Cáritas Diocesana do Funchal tem tido, e continuará a ter, certamente, uma ação muito grande junto da Cáritas da Venezuela, no sentido de ajudar os cristãos, não apenas madeirenses, mas todos”.

A entrevista, por sinal recusada a alguns meios de comunicação social nos últimos dias, decorre do facto da ‘Voz da verdade’ fazer parte da sua história desde 1987. “Não conseguiria apresentar-me sem falar da Voz a Verdade. Primeiro com muitas dificuldades, em que o jornal era praticamente uma ‘folha de couve’, e recordo a ajuda dos seminaristas do Seminário dos Olivais. Quando houve a tentativa de fazer um trabalho mais sério, com um pouco mais de meios, lembro a colaboração de tantos leigos e tive a oportunidade de perceber o quanto os leigos gostavam da Voz da Verdade, porque escreviam e escrevem, porque percebem que é uma realidade importante”, justifica.

Nesta colaboração, o bispo revela ter procurado sempre “atenção à realidade e a fazer uma leitura cristã da realidade”, conhecer melhor a diocese e poder escrever. “São muitas as pessoas que me agradecem pelo facto de escrever, mas faço-o com toda a simplicidade, às vezes com alguma polémica, mas isso faz parte do sal, senão os textos ficam muito insonsos”, refere. Quem o lia era o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, que ainda hoje enalteceu “a qualidade das suas intervenções e escritos na Voz da Verdade e outras publicações”.

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