BE diz que companhias aéreas low cost “não são solução” para a Madeira

10 Jan 2019 / 14:50 H.

O Bloco de Esquerda considera que as companhias aéreas de baixo custo não são a solução para a Madeira e dá como exemplo os 50 voos extra que vieram para a Região no Natal e no fim do ano, sendo apenas um deles assegurado por uma companhia low cost, nomeadamente a Easyjet, o que demonstra, no entender do BE, que as companhias de baixo custo “não têm capacidade de reforçar a oferta de voos quando há mais gente a querer viajar”.

Segundo Paulino Ascenção, coordenador regional do BE, as companhias de baixo custo conseguem os preços mais baixos porque exploram ao limite os seus recursos, nomeadamente os aviões e os trabalhadores, e acabam por não terem aviões disponíveis para reforçar a oferta nos picos da procura e acabam por aumentar os preços como única resposta à procura.

“Não estamos contra a presença na Madeira de companhias de baixo custo, mas não podemos ficar dependentes desse tipo de companhias”, diz Paulino Ascenção, considerando que numa altura em que “há tantos responsáveis políticos de vários partidos entusiasmados com a ideia de trazer uma nova companhia de baixo custo para a Madeira, é bom que reflictam sobre esta realidade”.

A solução, diz, passa pelo “regresso ao regime de serviço público”, apontando à liberalização como um “erro”.

O coordenador regional do BE diz que a Madeira está há mais de dez anos à espera de concorrência que nunca chega.

Quanto ao modelo de subsídio de mobilidade em vigor, diz que é “outro erro” que agravou o problema e só serve para financiar as companhias de aviação e os agentes de viagens, bem como para fazer subir os preços, com prejuízo para os madeirenses e para o turismo. Daí que fale em “regras de serviço público” , uma medida importante para defender os passageiros.

“Neste mês de Janeiro, com a interrupção das ligações marítimas ao Porto Santo, se tivermos ventos fortes que impeçam os aviões de aterrar, não há meio de escoar os passageiros via Porto Santo, pois não há barco”, salienta o bloquista apontando para uma proposta do seu partido de gestão integrada dos dois aeroportos da região que obrigava a repensar o modelo de ligações marítimas entre as duas ilhas, e que mereceu o chumbo do PSD argumentando que isso já existe.

“Não existe gestão integrada, nem há plano de contingência para os dias em que o aeroporto está fechado, porque o PSD está mais preocupado com os interesses dos empresários, com o concessionário da ligação marítima (grupo Sousa) e com os agentes de viagem, que com o bem estar do povo”, acusa Paulino Ascenção.